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Mostrando postagens de junho, 2015

Cereja Azul

simples, simplezinha estrela pequenina som sem peso, sem medo de ser palavra sem máscara
acho que entendi chorão e erik satie dó e fá sustenido si
sigo fazendo minhas pobres rimas só quem não começa sabe onde termina
Boa noite, Sol, pra ti que sempre é dia. Deixa-me só aqui com a Lua fria.

Conversa de ônibus

De que adianta Em um ônibus lotado Indo ao emprego apressado Desejar ter um carro Entrar na fila que não anda Não anda, não devido a multidão Ou à necessidade do trabalho Mas ao espaço ocupado Pelo pesado e volumoso carro Frete de uma única mercadoria cidadão Muito se reclama do pouco dinheiro Trabalha-se até ficar estressado Levando esporro do chefe coitado Cujo único orgulho é seu filho carro E seus ex-cravos murchos o dia inteiro Falta-nos investimentos pros sonhos Viagens, pros jantares de eternos namorados Milhares, milhões, até mesmo os trocados São todos jogados aos carros Aos petroleiros e asfaltos medonhos Não sei se é papo de pobre Ou de quem sente sufocado O canto do pássaros, e se sente atordoado Pelo rosnar ensurdecedor dos carros Ocupando o ar sem deixar que a música sopre Abaixo a delirante tirania Do luxo, do lixo de aço Frio, vil, viril, macho machucado Impotente, antifálico, assassino carro O gozo do...

cabeça

tem um buraco na cara que se mexe e fala por outro entra ar ou saem pêlos de homens e mulheres do topo da cabeça de todo mundo quase dois buracos preenchidos vistos daqui parecem um só mas são dois pequenos olhos que vêem tudo gigante de cada lado tem um buraco que se encontra bem no meio o universo ecoa inteiro no delay do pensamento

Luisa

Onde estais, Luisa? Ultimamente sinto que não és mais a mesma. Será que eu mudei? Com certeza mudei, mas tu mudastes também. Como se eu me esforçasse para enxergar alguma coisa, e esse esforço da visão fizesse meus olhos chorarem (pois é logo atrás dos olhos, na região orbitofrontal, que localiza-se o "eu" no cérebro, forçar a saída do "eu", ou a entrada de algo logo na cara do "eu" pode fazer chorar). Acho que tens outro. Sei que eu mesmo tenho outras várias, mas nunca deixei de te amar. Elas outras nunca me amaram. Mas nem tu me amaste, sim? Para além de minha alegria, sei que estarás sempre ali, ao alcance de minhas mãos, da minha boca. Sinto-me insuficiente para ti. Não falo bonito, não sou carinhoso, minto emoções, forço situações... Acontece, minha amada Luisa, que mal sei amar! Quero dizer, me esqueci como se faz. E é exatamente assim que se faz: esquecendo como se faz. Amar é esquecer como se ama. E eu te amo, Luisa. Te amo como a uma porta no d...