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Vou pra frente do quartel

Eu vou, eu vou
Pra frente do quartel
Eu vou

Se tu não der o que eu quero
Me pinto de verde e amarelo
Com a mesma brocha que pinta o meio fio
Sou filho da pátria que pariu

Em 72 horas espero
Senhor, meu coturno é relo
Já perdi esposa, o trabalho e até meu filho
Me mandou pra Portugal de navio

Demando um cano bem longo
Remédio pra verme e piolho
Eu quero ver se me curo dessa gripe
Que peguei esperando o soldado e o jipe

Me dá logo o que quero
Não deixa pra depois
Se não largo aqui mesmo
Um número dois

O Estado hostil contra a Música forte

 


O vídeo chega a assustar pela truculência diante de um conflito tão banal quanto volume de música em um Sábado à tarde, faltam mandado e medidor de decibéis, sobram armas e confiscos.


Não adianta argumentar com o funcionário, militar responde à corporação e outras autoridades. No começo do vídeo o policial faz uma pergunta mui pertinente, és advogada? Se fosse, pela Lei, o funcionário público teria de mudar o tom, chamar de doutor e outras bobagens. Militar não responde às mesmas leis civis.


Não estivessem uniformizados, ninguém teria dúvida de que se trata de assalto, e esta deve ser uma questão central da discussão, o Estado ampara e legitima este tipo de arbitrariedade, vide reintegrações de posse, apreensões de fantasias políticas e toques de recolher durante o Carnaval. É inútil discutir essas questões com um policial no exercício de seu ofício, militares são treinados para suportar ofensas e pressões psicológicas muito piores que nossa civilizada consciência poderia articular.


Precisamos resolver os traumas decorrentes da ditadura, resgatar a Comissão Nacional da Verdade, problematizar a militarização da polícia nos municípios, nos desalienar de motivos e interesses da ação do Estado, ou ao menos reconhecer seus efeitos, por exemplo, em periferias, comunidades de maioria negra. O problema é estrutural.


Publicação original do vídeo

AVALANCHE Mídia

Ordem, progresso; polícia, desejos e devires

Como dizem, se organizar direitinho, todo mundo transa. É dizer, há espaço pra libido de todos, pra todos os desejos, mas precisamos organizar.

Na bandeira do Brasil diz ordem e progresso, cafonice positivista, mas conceitos efetivos. De um lado o progresso, o avanço, a mudança, os devires, e do outro a ordem, a manutenção, a neurose. Parte dessa conciliação é feita pelo Estado Democrático de Direito, e a polícia é um dos principais pilares de uma nação firme e justa. 

O que sustenta qualquer um dos pilares deste Estado Democrático de Direito, que é o Brasil, é sem dúvida o cidadão. O projeto de Estado é votado pelo cidadão para que junto ao direito produza leis que protejam o cidadão de, inclusive, outro cidadão, que estimule a economia, a cultura,em nome de mais riquezas, belezas e bem estar social. 

Em casos homéricos de corrupção esperamos poder contar com uma polícia justa, autônoma e bem amparada, contra casos de violência cotidiana, brigas domésticas, na rua, em casos de assalto, ameaças, a boa polícia quando começa a investigar não falha. Por isso tão assustador quando agem de forma truculenta em nome de um Estado que não foi o eleito, por exemplo. A polícia pode ouvir o cidadão, porque ela trabalha para um Estado Democrático. Se esta voz não é a ouvida nas ações do judiciário, do legislativo, do executivo, falta o Democrático no Estado de Direito.

Não se defende menos polícia, questiona-se seu uso. Contra uma manifestação, é necessária uma polícia ostensiva, armada, à cavalos? Contra as drogas, é mais eficiente a polícia ou a Saúde? Uns dizem que sim, outros que não, enfim, opiniões e estratégias diferentes. Como organizar esses desejos dentro de um mesmo Estado? Poderes, constituições, leis, regras sociais, morais... mas nunca podemos deixar de questionar, de criticar, as ideias, ideologias, os desejos, os devires, a própria neurose deve vir do cidadão, do sujeito, não imposto por instituições. Ora, não é isso que se diz contra instituições religiosas? Que cada um possa interpretar o texto à sua maneira e ter meios de que sua voz possa ser ouvida, mesmo que seja dentro de uma garrafa jogada no mar, ou no Twitter. 

Um político não escuta elogios quando faz um bom trabalho, mas crítica, sugestão mesmo fazendo um bom trabalho, no final das contas é pra isso que está ali, para ouvir e legislar em nome de quem fala e vota. Fazemos assim em muitas instâncias, mais reclamar que elogiar, coisa grosseira, podemos mudar, depende de cada um, no entanto há quem se sujeite a prestar serviços ao público, por ofício ou paixão, e deve se responsabilizar pelo local de fala que ocupa. Um boxista reclamar de levar um soco, um psicanalista se queixar que seu paciente fala demais, um pianista reclamar de ouvir piano, um cobrador de ônibus se queixar de dar o troco...