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Ladainhas e clichês que se escuta falar sobre fazer música

Muito hoje se fala sobre música como negócio, assunto mais que urgente. Diz-se que um grupo de música, uma banda, é como um casamento, depois diz que deve se levar como um negócio, sem misturar o pessoal e o profissional. Ora, ou se casa por tesão e amor ou por arranjo econômico e familiar institucional. Música não é sequer casamento ou empresa. O Palcodigital levanta importantes estereótipos que atrapalham a manutenção de um grupo de música, mas são genéricos mal articulados que atrapalhariam qualquer investimento na vida, é a técnica do mind set, querer manipular a maneira de o músico pensar para encaixar-se no padrão estabelecido.

Não podemos nunca fazer as coisas em nome do medo, é uma questão espinosista, medo é paixão triste, portanto nos tira a potência de agir. Porquanto o medo nos proteja da morte, a música não se trata de sobreviver, mas de produzir desejo, super viver. Um sujeito pode não querer largar seu emprego e dedicar-se a banda de tal maneira não só por medo da fome, mas porque mais deseja a tranquilidade e estabilidade de sua família ou qualquer outro motivo subjetivo. Fazer música não é ter loja de capas para celular, é fazer arte. Envolve a vida do sujeito por inteira, do nascimento ao fim, não se trata apenas de manter-se vivo, mas de aumentar a vida, não só a própria. O medroso não deveria estar em bandas nem em lugar algum, mas a arte pode, por exemplo, lhe sublimar este afeto triste e lhe permitir um bom esquecimento. Expulsar um medroso da banda só para que a banda venda mais? Pois bem, cada um tem sua prioridade, mas me parece arbitrário.

O perfeccionista deve ser valorizado, mas ter o ego amansado. A banda não deve ser um ambiente paranoico para que os sujeitos se encaixem, mais uma vez, no status quo. Mas ambiente para transcendência, logo não é nem casamento nem empresa. Dificilmente um esposo ou esposa gostaria que seu cônjuge transcendesse algum aspecto no relacionamento, isto deveria ser minuciosamente negociado. Na empresa então nem se diz, se o patrão não gostar de uma sugestão ou ação, o que espera o sujeito crítico é o desemprego e a fome.

Fazer da música simples demanda a ser atendida, sem inclusive dar ferramentas de formação para os músicos, pode desqualificar o meio. A maioria dos compositores no Brasil nunca tiveram contato com educação musical formal, não que por si isto seja defeito, é uma qualidade a ser considerada, porém se estes músicos são alfabetizados pelo ouvido, lhes sendo exigido apenas atender pedidos de público alvo, dificilmente se desapegará dos clichês. O perfeccionista deve ser convidado a cada instante a mostrar seus defeitos, na mesma medida reparar-se-á em suas qualidades. O problema de evitar o perfeccionismo é que hoje muitos músicos deixam esse aspecto técnico, que não deixa de existir, para as máquinas, com quantizações, afinadores, e outras ferramentas digitais. Para o público não há queixa, as músicas chegam todas com os mesmos volumes, temperaturas, temperamentos e sabores, é como comprar um chocolate diferente no mercado, pode até ser pior que o favorito mas não será ruim. Não como ir num museu, este choca, irrita, encanta, muda nossa vida um pouquinho. Para o artista, essas ferramentas digitais, quando usadas para maquiar, lhes impede de ouvir também seus acertos. A maquiagem serve de cores e correções, a arte de coração, sincera, ou então irônica, ou qualquer outra coisa, mas não sem intenção ou emoção, como intenções de farmacêutico de bairro.

O atrasado é realmente um problema em todos os ambientes, de trabalho, de amizade, qualquer que seja o compromisso por informal que seja, atraso é deselegante e desrespeitoso, independente da situação. Mas não é imperdoável. Houve tempo em que bandas se reuniam basicamente em escolas ou bairros, hoje as metrópoles possibilitam encontros cada vez mais distantes, e as imprevisibilidades de trânsito, o tempo de deslocamento, obrigam alguns membros que dependem de transporte urbano para deslocar a si e a seus instrumentos, viajarem durante horas para percorrer poucos quilômetros. Não é exagero. Principalmente quando há horário marcado em estúdio pago, o atraso é imperdoável. Mas não há algo que esta banda possa fazer na ausência deste membro? Há alguma maneira de favorecer um pouco quem se desloca mais, quem tem menos recursos para o transporte? Ou a banda deve ser todas de pessoas com o mesmo poder aquisitivo? A única solução para este membro é sua expulsão? Ele é assim tão desimportante? É difícil encontrar horários para todos na banda, sempre é. Em shows não se pode atrasar, e contra isso poderia-se combinar até descontos no cachê, apesar de também arbitrário, mas os integrantes que tem carro podem oferecer caronas mesmo distantes com um diferencial no pagamento, ou a banda poderia reunir-se para oferecer diferencial para Uber ao membro que mora longe. Por isso banda não é empresa, empresa costuma pagar vale transporte. Nesse aspecto se parece com uma família, a empatia costuma ser ponto de partida. Também não se parece com casamento, porque há até um charme em certos atrasos como o da noiva.

A obsessão é também um problema em qualquer aspecto da vida, inclusive higiene pessoal. Não há muito o que falar, é assunto explorado pela psicologia, psiquiatria e psicanálise, astrologia, todos parecem ter opiniões e maneiras de lidar com obsessão. Não se deve nunca levar a popularidade como sintoma de qualidade. Nunca.

O instrumentista ruim pode ser ruim, mas mesmo Nirvana, famosa por não ter bons instrumentistas, é famosa também por ter uma obra consistente e relevante. O músico convidado para apoiar a guitarra instável de Kurt também não era lá grande instrumentista, mas fazia parte da estética. Isto o artigo do Palcodigital não considera, estética. Aliás, fala de tudo, menos de música. O instrumentista chamado ruim deve ser embarcado pelo grupo se assim lhes apetece, seja a fome pela amizade ou pelo rock n' roll. Adaptar-se a partir das dificuldades me parece um dos únicos meios eficientes de se fortalecer. A teoria, os livros, as estratégias são guias, mas a experiência, a dor e o prazer conectam esta consciência ao desejo, aos buraquinhos por onde escorre a criatividade. Um sujeito é um mundo e os escopos devem ser ultrapassados, como adaptar o arranjo do coro para a catedral sem deixar de inovar, evitar o trítono sem evitar a blasfêmia, pintar toda uma capela e oferecer um punhal aos Deuses. Todo artista mata Deus, porque sabe que morrerá, Deus não.

Querer que seu trabalho seja ouvido é, além de tudo o mais, óbvio. Divulgação e distribuição fazem parte da maneira como consumimos música hoje. Houve tempos em que não se tinha música em casa então todos eram obrigados a se deslocarem para alguns lugares e ouvir as mesmas músicas. Hoje a música vai até os bolsos das pessoas, pela rádio, pela tevê, pela rede. Pela rádio o artista precisa de jabá, pela tevê precisa fama e ideologia, pela rede precisa de canais e cliques. Com certeza pela internet é um meio mais fácil de se fazer ouvir, seja por muitos ou não. Divulgação de bandas pela web costuma se confundir com spam. Conhecidos com que há muito não conversamos pedindo pra ouvir suas músicas sem nunca terem se disposto a ouvir as nossas, grupos de amigos músicos em redes sociais com propaganda de shows e clipes, e sei lá mais o que sem nem curtir a página do amigo, ou seguir Soundcloud, Spotify. Pede-se muito dá-se pouco. Cada um tem a sua maneira de divulgar seu trabalho, o profissional nisso é o publicitário, se a banda quer trabalhos destes profissionalizados deveria contratar alguém que assim o faça. O marqueteiro não se implica na obra. Não podemos ignorar as questões de orgulho, vergonha, e outras subjetivas do autor. Seu trabalho é compor, vender é outra virtude, necessária, mas a banda deve se ajudar, sem se queimar e atolar a caixa de correspondência dos parceiros com discos que nunca ouvirão. Falta cena, artistas unidos falando um do outro, um crooner, uma Gal Costa que cante Caetanos, Gils, Cayimmis e a família toda, Miltons e clubes em esquinas que aceite mais que rock. Uma cena romântica, de ação, uma cena de militância e brio. Propaganda é alma de negócio capitalista, é o que diferencia Coca e Pepsi, não Van Ghogh e Duschamp. A alma da arte é outra, é preciso vender pra sobreviver, labuta é labuta, mas não devemos fazer música porque precisamos, como urinar, mas porque desejamos, como amar.

5% pras 5 bandas dividirem entre 5 integrantes cada, mas a cerveja é do bar e não tem como chegar lá


como se chega nos lugares? como o cara volta p casa se mora no continente, sul da ilha, norte? os preços são justos também pro consumidor, entrada e bebida? noutros lugares, em sampa talvez, o acesso e o incentivo são infinitamente melhores, o problema em floripa ñ é só de público nem de produção, a cidade q ñ funciona. mesmo um evento a 5 golpetas no célula, se somam 7 de long neck e mais 30 de uber, isso contado q na ida pude pegar busão e gastar só os famigerados 3,50 com integração. qse 50 reais p prestigiar o evento, sendo q destes, 5 vão pro artista? pá, tô de boa...
em floripa tb falta criar cena, os artistas parecem se esconder em grupinhos, ñ somos unidos como exigimos dos parceiros. faltae e muito um meio de girar, de se fazer os artistas daqui serem ouvidos, como os programas na radio udesc, etc, mas ñ existe nenhum meio fácil de se ouvir expresso rural, françois, cereja azul, blame, caraudácia, de boa, sem preconceito de gênero, etc. simplesmente não tem. a maioria aqui são meus amigos e a maioria aqui também nunca ouviu minha cereja azul. vou culpá-los por falta de curiosidade? claro q ñ. o responsável por despertar curiosidade é do sedutor, e o fetiche que compõe a persona do artista não depende só de sua obra. p q alguém deixaria de ir numa balada lixo, mas putanhesca e da moda, pra se arriscar ouvir banda de rock do bairro vizinho? esta pergunta, acredito, quem deve responder somos os artistas e produtores, o desejo do público quem inventa somos nós.

15 mil metros minutos

O patrão sai de casa com 15 minutos de antecedência. Já dentro do carro sente que precisa ir ao banheiro, coisa rápida, sua esposa e sócia não se importa com este imprevisto e enquanto isso escolhe o CD, o trajeto pode ser curto mas não tem porque não atravessá-lo ouvindo música. Xixi feito, volta pro carro ligado, põe o sinto e vai em direção à sala de trabalho. O trânsito pode estar lento, mas é possível desviar dos furões e dos ônibus que por obrigação param de ponto em ponto e nunca saem da pista da esquerda, por parada que esteja. Desta vez o patrão atrasou, 1 minuto, ninguém se importaria.

O funcionário também quis ir ao banheiro, já estava em cima da hora, se perdesse este ônibus não sabe o quanto esperará pelo próximo, mesmo assim foi, ninguém mais poderia fazer por ele. Ansioso, mas aliviado, já perto, mas ainda fora do ponto de ônibus, o inflexível motorista não quis parar para o atrasado mijão. A experiência lhe diz ser impossível, mas a lógica não deixa de confundí-lo, 1 mais meia hora parecem suficientes para concluir de automóvel um trajeto de 15 quilômetros, sem precisar muito a matemática é simples concluir que se precisaria manter uma velocidade de 10 quilômetros por hora para pouco ou nem atrasar. Ainda assim atrasa.

Apesar de não saber o quanto, às vezes nem quando, vai receber a paga pela sua labuta, sabe que será descontado se passar ou se aproximar dos 15 minutos de atraso. A solução primeira que todos dão é que se reserve 2 horas por dia para simplesmente ir, ao trabalho. Ao menos o funcionário, se conseguir ir sentado, pode ler dentro do ensurdecedor ônibus, ou então pode ensurdecer-se com fortes volumes de compressores em músicas sem muita dinâmica por caixinhas de som a centímetros do tímpano. Ele salta em um ponto próximo à sala de trabalho, o suficiente pra ainda ouvir uma música de 3 ou 4 minutos, como já está atrasado não faz questão de andar rápido.

Quando foi demitido chegou 15 minutos antes do horário, de ônibus é assim, ou atrasa ou adianta 15. Foi ficar sabendo da dispensa quando o expediente começou, desta vez com 15 minutos de atraso. Sem aviso prévio, sem contra partida, é a crise, dizem, precisam de uma equipe menor, dizem, mas gostam muito do rapaz, dizem, sua companhia é muito agradável, dizem. O funcionário, mesmo sem incentivo, precisa profissionalizar-se, a cada instante, mais, quando sua mão de obra for indispensável terá poder de barganha. Os patrões não querem que o funcionário dependa deles, mas a empresa depende de uma taxa de 10% em cima dos ganhos do funcionário, como se fossem juros de banco, como se o funcionário estivesse prestando um favor de emprestar-se da culta e nobilíssima empresa.

Tira da Saúde e põe na Cultura que cura

Se o MBL apoia, é cilada.
A Oficina de Música de Curitiba foi cancelada, o prefeito fez a infeliz constatação de que usará as 900 mil golpetas em saúde.

O Estado tem recurso para tudo, faltar dinheiro para a Cultura é retirar dinheiro de trabalhadores e famílias. Cultura não é entretenimento, é identidade de um povo, é local de fala, liberdade de expressão, é direito básico. Sem Arte perigamos ficar reféns de narrativas rasas, pobres de conteúdo, com mais cosmética do que estética, como a televisão e outras grandes mídias, sem preocupação ética. Investir em Cultura é questão de saúde pública, mental e social. O que este prefeitinho da República de Curitiba faz é pura demagogia, é criar atrito entre estes dois setores, Saúde e Cultura, e pô-los um contra o outro. Ora, quem seria contra Cultura? Quem seria contra Saúde? Absurdo, o inimigo é outro, é um Estado falho, Governos corruptos, instituições corporativistas e politiqueiras, vendidas. É um problema Cultural. Não digo que Saúde não deva ser priorizada, mas sem investimento na Cultura há toda uma parte essencial da nação que adoece. França, Inglaterra, Japão, México, Israel, Índia, são reconhecidas como são por sua medicina ou sua Arte? Recebem milhões de turistas em seus hospitais ou em seus museus? Há de haver infraestrutura para recebê-los, claro, mas sem Cultura é como se não houvesse por que ter saúde, a cidade se torna trajeto.
alta imensa maior que o mundo mais linda que dinheiro mais alta que coqueiro mais verde que o sol mais azul baguaçu violentada como santa decaptada tosada assassinada de uma vida de séculos mais velha que eu e que qualquer gaúcho vivo que vai morrer apesar de achar que não quando matou minha irmã minha árvore frutífera que alimentava meu irmão pássaro que cantava pro meu id sonho que velava meu descanso sono que agora acorda ao som de máquinas monstros estão avançando pra cima de mim e de minha vó que podia já ter morrido para não ter que passar por isso mas fico feliz que não porque a amo a amo como amo a cabeluda gárgula vênus portal do meu lar onde sempre sempre sempre sempre sempre sempre vivi e morei mais ainda não morri será que querem me matar? acho que sim mas não vão conseguir porque o único que pode tirar minha vida sou eu meu amor e a árvore mas a árvore já morreu agora só no ano que vem do ano que vem do ano que vem do ano que vem de mais de cem anos daqui quando seus cabelos voltarem a crescer que mania chata essa a dos homens que cortam os cabelos e as árvores pra caber mais carro e mais vaidade e menos amor e menos fruta de verdade já que fruta no mercado é feita de dinheiro sem dinheiro ninguém come as frutas do mercado nem vão morar nos monstros edificados que gritam a noite como se chorassem e devem chorar pois deve ser triste ser tão odiado e tão rico ao lado de gente tão amada e tão rica de amor e de árvore e de gatos cachorros e não de yorkshires e palmeiras mas sim avaí e guarani do abraão não de coqueiros mas da praia do cagão.