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5% pras 5 bandas dividirem entre 5 integrantes cada, mas a cerveja é do bar e não tem como chegar lá


como se chega nos lugares? como o cara volta p casa se mora no continente, sul da ilha, norte? os preços são justos também pro consumidor, entrada e bebida? noutros lugares, em sampa talvez, o acesso e o incentivo são infinitamente melhores, o problema em floripa ñ é só de público nem de produção, a cidade q ñ funciona. mesmo um evento a 5 golpetas no célula, se somam 7 de long neck e mais 30 de uber, isso contado q na ida pude pegar busão e gastar só os famigerados 3,50 com integração. qse 50 reais p prestigiar o evento, sendo q destes, 5 vão pro artista? pá, tô de boa...
em floripa tb falta criar cena, os artistas parecem se esconder em grupinhos, ñ somos unidos como exigimos dos parceiros. faltae e muito um meio de girar, de se fazer os artistas daqui serem ouvidos, como os programas na radio udesc, etc, mas ñ existe nenhum meio fácil de se ouvir expresso rural, françois, cereja azul, blame, caraudácia, de boa, sem preconceito de gênero, etc. simplesmente não tem. a maioria aqui são meus amigos e a maioria aqui também nunca ouviu minha cereja azul. vou culpá-los por falta de curiosidade? claro q ñ. o responsável por despertar curiosidade é do sedutor, e o fetiche que compõe a persona do artista não depende só de sua obra. p q alguém deixaria de ir numa balada lixo, mas putanhesca e da moda, pra se arriscar ouvir banda de rock do bairro vizinho? esta pergunta, acredito, quem deve responder somos os artistas e produtores, o desejo do público quem inventa somos nós.

15 mil metros minutos

O patrão sai de casa com 15 minutos de antecedência. Já dentro do carro sente que precisa ir ao banheiro, coisa rápida, sua esposa e sócia não se importa com este imprevisto e enquanto isso escolhe o CD, o trajeto pode ser curto mas não tem porque não atravessá-lo ouvindo música. Xixi feito, volta pro carro ligado, põe o sinto e vai em direção à sala de trabalho. O trânsito pode estar lento, mas é possível desviar dos furões e dos ônibus que por obrigação param de ponto em ponto e nunca saem da pista da esquerda, por parada que esteja. Desta vez o patrão atrasou, 1 minuto, ninguém se importaria.

O funcionário também quis ir ao banheiro, já estava em cima da hora, se perdesse este ônibus não sabe o quanto esperará pelo próximo, mesmo assim foi, ninguém mais poderia fazer por ele. Ansioso, mas aliviado, já perto, mas ainda fora do ponto de ônibus, o inflexível motorista não quis parar para o atrasado mijão. A experiência lhe diz ser impossível, mas a lógica não deixa de confundí-lo, 1 mais meia hora parecem suficientes para concluir de automóvel um trajeto de 15 quilômetros, sem precisar muito a matemática é simples concluir que se precisaria manter uma velocidade de 10 quilômetros por hora para pouco ou nem atrasar. Ainda assim atrasa.

Apesar de não saber o quanto, às vezes nem quando, vai receber a paga pela sua labuta, sabe que será descontado se passar ou se aproximar dos 15 minutos de atraso. A solução primeira que todos dão é que se reserve 2 horas por dia para simplesmente ir, ao trabalho. Ao menos o funcionário, se conseguir ir sentado, pode ler dentro do ensurdecedor ônibus, ou então pode ensurdecer-se com fortes volumes de compressores em músicas sem muita dinâmica por caixinhas de som a centímetros do tímpano. Ele salta em um ponto próximo à sala de trabalho, o suficiente pra ainda ouvir uma música de 3 ou 4 minutos, como já está atrasado não faz questão de andar rápido.

Quando foi demitido chegou 15 minutos antes do horário, de ônibus é assim, ou atrasa ou adianta 15. Foi ficar sabendo da dispensa quando o expediente começou, desta vez com 15 minutos de atraso. Sem aviso prévio, sem contra partida, é a crise, dizem, precisam de uma equipe menor, dizem, mas gostam muito do rapaz, dizem, sua companhia é muito agradável, dizem. O funcionário, mesmo sem incentivo, precisa profissionalizar-se, a cada instante, mais, quando sua mão de obra for indispensável terá poder de barganha. Os patrões não querem que o funcionário dependa deles, mas a empresa depende de uma taxa de 10% em cima dos ganhos do funcionário, como se fossem juros de banco, como se o funcionário estivesse prestando um favor de emprestar-se da culta e nobilíssima empresa.

Temos que construir um elevado por cima da ponte

Temos que construir um elevado por cima da ponte
Os ônibus estão cada vez mais vazios
As concessionárias cada dia mais ricas
E tem ponte que ainda não caiu
Tem gente que ainda acredita que carro acelera alguma coisa
Quarenta pessoas querendo entrar na pista da esquerda
Uma pessoa ouvindo rádio em ambiente controlado da chuva e do calor não acha justo
Todos pagamos impostos
A chuva pinga gelado mas o coletivo é caloroso
Tem gente
Que escuta música
Que lê
Que faz os dois
Ou nenhum
Ou chora, mas
Alguém pode reclamar
Alguém faz essa criança calar
Chegamos no Ticen

Dia de burô

Floripa ilha 
dos aterros e burocracia 
Horas ônibus dia
à imagem e ruído
um ameno mar cagado
outro gris de carros.

Conversa de ônibus

De que adianta
Em um ônibus lotado
Indo ao emprego apressado
Desejar ter um carro
Entrar na fila que não anda

Não anda, não devido a multidão
Ou à necessidade do trabalho
Mas ao espaço ocupado
Pelo pesado e volumoso carro
Frete de uma única mercadoria cidadão

Muito se reclama do pouco dinheiro
Trabalha-se até ficar estressado
Levando esporro do chefe coitado
Cujo único orgulho é seu filho carro
E seus ex-cravos murchos o dia inteiro

Falta-nos investimentos pros sonhos
Viagens, pros jantares de eternos namorados
Milhares, milhões, até mesmo os trocados
São todos jogados aos carros
Aos petroleiros e asfaltos medonhos

Não sei se é papo de pobre
Ou de quem sente sufocado
O canto do pássaros, e se sente atordoado
Pelo rosnar ensurdecedor dos carros
Ocupando o ar sem deixar que a música sopre

Abaixo a delirante tirania
Do luxo, do lixo de aço
Frio, vil, viril, macho machucado
Impotente, antifálico, assassino carro
O gozo do mundo é poesia

fábula flóripa

o menino sai de baixo do sol quente do verão para comprar pão

no caminho, árvores estrategicamente plantadas para fazer sombra

sobre os carros parados no meio da cidade

Apon te

A ponte
é um sím
bolo de união.

A ponte flu
tua sobre o mar.

O carro não
voa.
alta imensa maior que o mundo mais linda que dinheiro mais alta que coqueiro mais verde que o sol mais azul baguaçu violentada como santa decaptada tosada assassinada de uma vida de séculos mais velha que eu e que qualquer gaúcho vivo que vai morrer apesar de achar que não quando matou minha irmã minha árvore frutífera que alimentava meu irmão pássaro que cantava pro meu id sonho que velava meu descanso sono que agora acorda ao som de máquinas monstros estão avançando pra cima de mim e de minha vó que podia já ter morrido para não ter que passar por isso mas fico feliz que não porque a amo a amo como amo a cabeluda gárgula vênus portal do meu lar onde sempre sempre sempre sempre sempre sempre vivi e morei mais ainda não morri será que querem me matar? acho que sim mas não vão conseguir porque o único que pode tirar minha vida sou eu meu amor e a árvore mas a árvore já morreu agora só no ano que vem do ano que vem do ano que vem do ano que vem de mais de cem anos daqui quando seus cabelos voltarem a crescer que mania chata essa a dos homens que cortam os cabelos e as árvores pra caber mais carro e mais vaidade e menos amor e menos fruta de verdade já que fruta no mercado é feita de dinheiro sem dinheiro ninguém come as frutas do mercado nem vão morar nos monstros edificados que gritam a noite como se chorassem e devem chorar pois deve ser triste ser tão odiado e tão rico ao lado de gente tão amada e tão rica de amor e de árvore e de gatos cachorros e não de yorkshires e palmeiras mas sim avaí e guarani do abraão não de coqueiros mas da praia do cagão.