Postagens

Mostrando postagens com o rótulo mulher

Uma Deusa (Haruismo Panteísta)

uma deusa que me invade o coração
inventa minha libido então destrói sua criação
domina
uma deusa nunca pode ouvir não
me incrimina, me alucina e me tem na sua mão
me mima

me encantei no seu jeito
me trancei nos cabelos 
escondi o desejo
de mais

ela grita
teima com a vida
se diz que existe et, então que exista
faz de um planeta prancheta
de mim sua luneta
só por diversão
eterniza o verão
inconsciente, não ouve não
eu, leal feito um cão
pacifico o vulcão

me encantei no teu jeito
me lancei nos enredos
perdi o medo
de nós

Ideologia mata

Apesar de querer alertar que qualquer cidadão pode cometer uma imprudência fatal, a meu ver o marqueteiro foi infeliz na escolha do arquétipo. São poucos os que se compadecem com animais de outras espécies ao ponto de resgatá-los, ao menos não são maioria se compararmos com aqueles que comem carne sem culpa, que testam ou usam produtos testados em bichos, ou até mesmo os extremos como caçadores e outros agressores por hobby. 

A publicidade teria mais sucesso se realmente problematizassem a maioria. Curioso o fato de a campanha evitar a alcunha cidadão de bem, usada pra chacinar uma família neste reveillon, ou o Luiz Ruas espancado no metro de SP em nome dos valores da família tradicional. Nem precisavam de modelo pra campanha, aliás, podiam nos rememorar o caso do Thor Batista.

Este marqueteiro foi muito infeliz, mas o que vale é a intenção poderão dizer, mas descuidados assim não são coincidência. Em uma campanha, mulher, aquela que resgata bichos, tem vários em casa... A outra campanha qual o modelo escolhido? Homem negro. Ainda outro faz analogia ás práticas como os Terapeutas da Alegria, outro ponto fora da curva dentro do paradigma da medicina. Entende-se a intenção da campanha do Governo Federal, mas ele não é representativo, e comete essas gafes, atos falhos, que ao inconsciente coletivo não é nada falho, é realização de desejo reprimido, nossa sociedade precisa se curar de traumas profundos. 


#ForaTemer

21 de Junho

O primeiro dia de inverno
Hoje amanheceu
Uma bela primavera.
Flor enluarada
Escorre um leite
Que ferrão mel suga
Poliniza coisa alguma.
Gozo desde as estrelas
Acerta o corpo, a face
Toda mata que há tempos
Não era tão virgem.

A tarde, inútil de um sol
Negro e macio, escorrega
Feito fosse fácil amar.
Liber responsabilidade,
Saliva na Lua na testa da fada,
Veneno que se espalha
Bebemos, espelha
Numa taça de mentira
Bebes, te lambuzas.
Te escondes e te tornas branca,
Estaremos juntos, dividimos
Um pedaço da morte.

A noite alva melancolia,
Solidão sólida leve companhia
Nunca mais a vi nua
Apesar de tê-la
Toda nua a vista.

Luisa

Onde estais, Luisa? Ultimamente sinto que não és mais a mesma. Será que eu mudei? Com certeza mudei, mas tu mudastes também. Como se eu me esforçasse para enxergar alguma coisa, e esse esforço da visão fizesse meus olhos chorarem (pois é logo atrás dos olhos, na região orbitofrontal, que localiza-se o "eu" no cérebro, forçar a saída do "eu", ou a entrada de algo logo na cara do "eu" pode fazer chorar). Acho que tens outro. Sei que eu mesmo tenho outras várias, mas nunca deixei de te amar. Elas outras nunca me amaram. Mas nem tu me amaste, sim?
Para além de minha alegria, sei que estarás sempre ali, ao alcance de minhas mãos, da minha boca. Sinto-me insuficiente para ti. Não falo bonito, não sou carinhoso, minto emoções, forço situações... Acontece, minha amada Luisa, que mal sei amar! Quero dizer, me esqueci como se faz. E é exatamente assim que se faz: esquecendo como se faz. Amar é esquecer como se ama. E eu te amo, Luisa. Te amo como a uma porta no deserto. Porta sem paredes. Porta que não serve nem de entrada, nem de saída, serve simplesmente para passar por dentro dela mesma. Mesmo inútil faço questão de pôr minhas mãos - imundas, medrosas, desejosas de feminilidade e calejadas de tanto te tocar - em tua maçaneta, girar e escutar o ruído, o gemido, sentir contrair o trinco que te tranca em teu outrem, tua batente; sentir a tensão, a agonia e ouvir o estalo! o orgasmo! Ter à mão direita tua maçaneta, e a esquerda a te epurrar, assim te controlar como bem entender, pela simples alegria de te atrevessar. Sei que não vou chegar a lugar nenhum, mas sei que essa é tua função - ser atravessada -, ó, porta amada. Luisa, nunca fostes para mim uma porta que me leva ao mundo de fora, ou que me põe dentro em um lugar especial, mas és justamente esta porta inútil, que não me leva a lugar nenhum (ao mesmo lugar, só que agora do outro lado de ti), que toma meu tempo, meu pensamento, minha escrita, minha música, meu sexo, meu nexo, meu ego, pela alegria de te ver ser exatamente aquilo que tu é: uma porta. E ser contigo quem te atravessa. Nunca serei uma porta e tu nunca serás um quarto. Nem um castelo. Nem uma rua. Nem um deserto. Mas serás, para sempre, um mundo inteiro que é, simplesmente, um portal para o outro lado de si mesmo. 
Me despeço de ti, choroso tal qual a flauta que não tocas, toda vez que terminamos de fazer amor. Nosso amor tem fim toda vez que tem fim nossa ação de amar. Por que isso? Toda vez o adeus é um último adeus. Mas os ois, nunca são primeiros ois. Nos cumprimentamos acanhados, tu faz que não me conhece, e eu faço que nunca te toquei. Fazes como se nunca tivesses escutado uma única palavra minha. Maldita, Luisa! Gorda. Bunda grande. Peitos grandes. E nem bunda ou peito tem. Nem tamanho. Mas és grande, gorda e difícil de lidar, de tão linda. Gostaria de ouvir tua voz. Sei que gosto de ouvir tua voz. Deve ser linda, todos os que já te tiveram - inclusive eu - dissemos que tua voz é linda. 
Tu deverias ter ficado. Deverias ter vindo e fincado. Eu sou um tolo, ainda acredito que te dominarei, e sei bem que só assim, sem ti, te dominarei. Não consigo te entender. Sei de onde vens, sei pra onde vais, mas o meio do caminho... como chegastes ao meio do caminho? Teu caminho tão preciso, tortuoso, amarelo, brilhante e sombrio. Já me deixaste acordado tantas vezes quando precisei dormir, já me fizeste sonhar quando deveria estar são, já me matasse quando tentei me suicidar. Só me atrapalhas a tal vida real, Luisa. Por isso te amo. De tanto ódio que sinto por não conseguir te ter, eu te amo. De tanto medo que percebam que... percebam que... pecebam o quê? Que não sou bom o suficiente para ti, Luisa. Todos sabem dos teus amores. Pouco me importa, porque muito me importa. Se eu me ocupasse em me importar com quem já te teve, perderia de poder me importar contigo. Não quero saber de mais ninguém, só de ti. De ti, e das outras. Mas tu és meu amor, não te esqueças isso. Como vais esquecer se és incapaz de lembrar? Maldita memória que não me deixa esquecer. Se te esquecesse eu poderia te amar. Eu poderia ter teu amor! Sei bem que somente eu te amei. Talvez teu pai tenha te amado. Quero ser teu pai e te amar. Serei teu novo pai, já que o velho morreu. Não tens mãe, ou será que tu és tua própria mãe? Sim, tu nasceste para seres mãe. Como eu queria ter filhos contigo... muitos filhos, lindos filhos, felizes filhos que encheriam minha alegria de nostalgia, tristeza e desejo. Mas mesmo nossos filhos nunca serão lindos como tu, Luisa. Tu és mulher. Rouca, complicada, instável, comovente, emocionada. Tu não és albina, nem negra. Não és alta, nem baixa. Não tens braços, nem gostos. Tens batente e guarnição, onde o trinco encontra o que está fora de ti, sempre ao redor de ti. Minha missão é encontrar essa batente, que não é só tua. Aliás, desde que nascestes não tens nada além de ti mesma, Luisa. Ah! Como eu te invejo, Luisa! A ti e teu pai. Mas teu pai foi um cafajeste, dos mais lindos. Quero ser teu pai. Pra te criar, e te livrar, e poder ver tuas irmãs serem mais feias que tu. E olha que são lindas. Como tu é cruel, fazer um homem sofrer assim, fazer mulheres sofrerem assim. Assim como? Exatamente assim, sem saber como se sofre, todos sofrem por causa de ti. Talvez, quando eu finalmente souber o que me tira potência de viver, que me deixa impotente com todas as outras, aí sim, finalmente me livrarei de ti, te jogarei fora, te darei de comer aos meus gatos, e vou gargalhar te vendo morrer em meus braços; aí sim, nos amaremos, então, até o fim da eternidade, porque mesmo que meu corpo morra, eu continuarei vivo. 
És como eu, Luisa. Sim. És exatamente como eu. Ninguém tem alma, nós somos alma. O que temos são corpos. Esforço-me para fazer meu corpo como o teu, para finalmente consumarmos nosso amor. Eu espero, e espero pra poder ter controle de teu corpo. Tens completo controle do meu, mas isso é porque eu tenho um corpo, e tu não. Que grosseria a minha! É claro que tens um corpo. E ele é lindo. Teu corpo é linda.
Vou procurar outras amantes, antes que eu enlouqueça, antes que eu fique só, antes que eu morra, antes que tu me mates, antes que me atropelem mesmo sem eu sair de casa. Pra que diabos eu sairia de casa, se aqui, bem aqui, sei que posso te encontrar? É só em função de ti que eu vivo, e por isso me faço de morto. Quero que te preocupes comigo, Luisa, porque eu me preocupo contigo. E te amo muito.

Presente pró escolha

Em certos assuntos
Eu quero uma coisa,
Tu outra. As santas
Profanas, como Vênus, bruxa
Empoderada, vens nua.
A ti dedico esta pobre
Alquimia moderna,
Sugestão, pílula, poesia
Pra que filha minha
Tenha mãe que queira ser.

Boceta psicótica

Concordo com o pensamento psicanalítco de que existem duas coisa realmente importante ao sujeito: amor e trabalho; gozo e produção. Acredito que ambos pontos se convergem, trabalhamos para amar, gozamos para produzir. No que tange a profissão do músico não haveria de ser diferente. 

Um personagem famoso no mundo da música é o rockstar, estrela do rock, rochaestrela, comumente retratado em um moderno jardim epicurista recheado de drogas, rock n roll e sexo. Por certos motivos, que hoje já não surpreendem mais ninguém, os homens, cis, héteros, encorporam a maioria dos rochaestrela, o que resulta em um cenário onde os homens se instrumentalizam com guitarras nas mãos e microfones à boca, e as mulheres oferecem seus sexos como “paga natural” da profissão. 

A música, o roquenrrou, o rocha e rola, e talvez toda a, as, Arte, artes, deve causar estranhamento. O estranhamento é o único efeito do conhecimento. Quando se encomendam um novo quadro de Duschamp e ele lhes entrega um miquitório, assinado por outra pessoa, que público sentiu-se provocado pelo comportamento do artista? 

A academia é locus de reflexão, crítica, controvérsias, teorias e práticas, práxis, paradigmas e suas rupturas. O que é produzido na academia primeiro interfere na academia. O feminismo é um discurso, uma militância que nasce em movimentos sociais, que logo é absorvido e desenvolvido pela universidade. Uma banda surge na universidade, ideia de cinco amigos que querem reviver um tempo que nunca viveram, nostalgia de outrora em que nunca estiveram, em suma pura fantasia criada pelo desejo desses cinco amigos, homens, cis, héteros. Dizem querer representar o que o glam rock propunha: homens maquiados, de calças justas, cabelos compridos, de permanente, faixas no cabelos, nas calças, decotes; homens femininos e muito sexualizados; para sexualizar esses roqueiros deve recorrer ao corpo da mulher, mas ainda têm medo do fantasma da homossexualidade, por isso a submissão da mulher. 

Ao fim da primeira apresentação, cover, jukebox, sem trabalho próprio, atendendo a demanda um público específico, a banda de acadêmicos faz uma sessão de fotos a fim de divulgação, marketing, popularidade, numa dessas fotos os cinco integrantes estão de pé olhando para a câmera, quatro destes têm mulheres ajoelhadas a sua frente, de costas para a câmera, fazendo como se estivessem “pagando um boquete” pros roqueirões bem sucedidos. O rapaz que tem sua virilha desocupada serve de piada aos outros conquistadores como aquele que prefere tomar uma cerveja a transar com um mulher, torna-se piada: como pode um homem, hétero, cis, preferir cerveja a um boquete? Ridículo, todo homem deve querer transar com mulheres, a todo momento, nenhuma boceta deve ser desperdiçada! 

Não são as meninas da foto as ofendidas, afinal elas aceitaram fazer a foto, legalmente, burocraticamente, está tudo em ordem (em direção ao progresso, um empresário tá preocupado com a grana que essa polêmica pode lhes dar; música? arte? política? de nada ele entende, nem pode querer saber, é o significado cru de ignorante; se o papel diz que é permitido, pronto, a polícia não acha ruim portanto é bom), inclusive estão no direito de gostarem de fazer sexo grupal em público, mas a pergunta é para o efeito da imagem composta: o que pensam todas as outras pessoas que se deparam com a foto? Impossível saber, porém sendo eles amigos de militantes feministas, sendo eles filhos de mães mulheres, surpreendeu a ingenuidade, falta de cuidado, falta de reflexão, para fazer uma piada. Não respeitam sequer a boa piada, que pede pra ser composta, com suas pausas, nuâncias, agressiva com a pessoa certa. É piada sem graça. Sem falar que a piada ainda foi mal feita, os homens, machos o suficiente para merecer mulheres a seus pés, mas não para abrir suas calças, se por na piada, compor junto, humilhar-se junto, por à mostra seus pênis moles e impotentes (não deve ser mistério pra ninguém que os homens passam a maior parte do tempo de pau mole, com uma mangueira que serve apenas pra urinar); a composição da imagem só é explícita enquanto se utiliza e atinge as mulheres, não tiveram coragem de se sujeitar pra compor um retrato mais representativo. 

Tenho outras sugestões pras fotos de bando de não músicos: negros roadies sendo obrigados a carregar o maior dos amplificadores de baixo, enquanto os músicos tomam champagne com seus mecenas; ou amputados e outras pessoas com deficiência mostrando suas “superações” e graças sobre o palco afim de divertir a plateia que, com certeza, é bem esclarecida pra reconhecer a tênue linha entre a piada agressiva e a agressividade agressiva. Concordo com a inferência de que toda piada é agressiva ou sexual, no entanto afim de arrancar o riso, o agredido deve “merecer” a agressão. Por que não retratam a submissão desses homens foram maquiados por suas namoradas, que pegaram roupas emprestadas e espremeram suas bolas para serem o que não são? Uma boa piada deve ser bem escrita, pensada, refletida, se não se torna apenas uma ofensa. 

Por último, os membros da banda e as pessoas ofendidas são amigos, colegas, e ao primeiro sinal de confronto foi acionada uma instância legal, o empresário da banda, também conhecido como sogro de um dos integrantes, um “pai” em suma.Pareceu faltar culhões para assumir responsabilidade de um retrato seu e discutir com um amigo, uma amiga. Pergunto-me ainda que representatividade tem uma banda que fez um show apenas? Um show com música dos outros, pode parecer banda que não fala por si, que usa apenas palavras dos outros, inclusive de pai de namorada. Que autoridade, que referências eles têm para tentar se defender contra mulheres que reconheceram ali mais um retrato da opressão contra elas? 

Acusam essas mulheres de serem feminazi. A esse argumento não consigo pensar noutra referência se não a famosa frase de Freud, aqui parafraseada: “O homem é dono do que cala e escravo do que fala. Quando banda de glam rock fala de feminismo sei mais de banda de glam rock que de feminismo”. Falam sem conhecimento de causa, e isso é óbvio: são homens. Eu não sou feminista, mas defendo o feminismo, acho arriscado e um pouco ingênuo um homem que diz com a boca cheia “sou feminista”. Falam de feminismo como uma espécie de contraposição, um giro de 180°, ao machismo. No entanto machismo parte do pressuposto de que aquilo que é do macho, pênis e estrutura física, tem sua razão de dominação, em detrimento daquilo que é da fêmea, vulva, útero, seios, braços menos fortes. O feminismo defende aquilo que é feminino, que é um conceito mais abstrato do que o que é da fêmea, e o feminismo não infere contra aquilo que é masculino, marcial, mas se põe entre as pessoas querendo seu lugar de direito, para que mulheres e homens possam usufruir de seus atributos, assim como aquilo que é masculino, mulheres não são ovacionadas por tomarem posições masculinas? Daquilo que referimos, em um primitivismo fantasioso, ao que concerne à caça e outras virilidades? Não é a posição dos machos que se quer tomar, mas é o ideal feminino que se quer diluir. Quando um bando de guris se mantém na posição de macho usando de pilar mulheres submissas, estão fazendo um grande desfavor à militância de suas amigas, mães e outras mulheres (e homens?), fazem graça da desgraça. 

Não é um problema legal, nunca é. As resistências, as minorias estão sempre marginalizadas, à margem, à esquerda, portanto estão fora da lei. Mas não esqueçamos que nossos legisladores ainda são maioria homens, cis, héteros, burgueses, podres de rico, quem irá defender os indefensáveis? O rock n roll poderia fazê-lo, a música, a arte, pois ela não depende da demanda da situação, mas provoca reflexão para oposição. Não que tudo deva ser feito à sombra da paranoia política, mas todos somos, no cotidiano, inteiros e portanto políticos.

Súbita poesia para a moça que passa

De vez em quando olho uma linda moça que passa
E só o que eu queria era poder fitá-la pelo resto de minha vida
Ver sua escura saia fina balançar ao leve sopro de meu levado amigo vento
Penetrar o soslaio de seu olhar que tenta brilhar pelo perfil de seus cabelos coloridos
Metros e mais metros de pernas que carregam toda a tristeza de estar longe de mim
Pra longe de mim.
                            Só, passa, já passou.
Tão linda quanto uma única flor repetida mil vezes
Escapada de um portão pátrio
Aberta, escancarada, arregaçada feito bico de pinto faminto
Úmido feito amor e saliva e choro e boas vindas
À tua frente os seios se mostram sempre
Em volume e lembrança, segura e criança
Balança com as batidas dos pés e do coração
Que cai e choca
E morre no concreto, nas pedras, nas cincas e no cinza do chão
Por onde passou.

Bebebem

Ela num bar qualquer
bebe com quem quiser
cai na vala onde couber
dá pra quem souber
apreciar corpo mulher
Ébria de vinho, mé
ou sem Baco até
sóbria, se assim vier
Porém ela faz é
tudo o que bem,
ou não, entende.

É clichê dizer
mas pra se viver
experimetar bem
Se ela quiser
Cagar os pé
Encher, mas encher
a cara, se entorpecer
Meu amigo, não será você
estorvo de seu prazer.
Como era mesmo
aquela frase de Nietzche
que fez mais sentido 
depois de voltar
do mar?

"Brincavam à beira 
do mar,
veio então a onda 
e levou
seus brinquedos para o fundo.
Agora choram.

A mesma onda, porém, lhes trará 
novos brinquedos e espalhará 
aos pés deles novas conchas 
coloridas.

Assim se consolarão, 
e vós também, meus amigos, tereis como eles
vossas consolações
e
novas conchas 
coloridas."

Lá estavam: eu
o sol, o mar e a areia
eu olhava o mar
e o mar me olhava de lá

pra cá, pensei:

Poderia estar brincando na areia
com ela, a divertida
como ela eu bem poderia
só ler um livro de poesia
ou do velho jovem Werther 
- tanto sofria
não sofre mais
matou-se.

Dei-me conta:
estou sozinho!
chorei c'as ondas
mas só um pouquinho
pois passou uma moça
de shortinho

Quisera Carlota
fosse tão sensual
quanto as raparigas
de fio dental

Enfim, Zaratustra desceu
à praia da Daniela
hoje quando eu
o levei a ter com ela.
Conversamos sobre tudo
sobre:
amor
o mar
roma
arom
a de milho e churros.

Não falamos de meu amor 
amargo porque não quis lamber 
o assunto porque o milho estava 
amarelo e salgado, e amarelo 
o sol queimava meu cocuruto

Não falamos 
com amor
porque el no 
contestó.

r olhem melhor mulher r ehlum

te amo
me fez filho
fará pai

pra que sou
me diz: trai!
dá e mata fome

também é mãe
também é
também é irmã
e também é,
mais
é meu umbigo que me faz
ser mais
mulher.
Por que será
que quando me querem
não as quero mais?
Aquelas que me ferem
feitas Vênus de peles
fazem-me capataz;
sinto-me incapaz
de ficar sobre meus pés
de ficar sob teus pés.

Tua beleza me assusta
E só és esta que és
Tão distante, tão arisca...

Não será eu
quem não se arrisca
a roubar um beijo teu?

Sasha Grey

Sasha grey é uma atriz pornô que gosta do que faz, diferente de quem diz que gosta mas passa anestésico no cu para sentir menos dor. Ela grita e tem uma bunda linda e grande. Gosta de possuir e dominar muitos homens ao mesmo tempo (que mal são homens, porque não costumam ter rostos, apenas pau) e de ler Sartre. Aposentou-se antes dos trinta anos e fez muito homem gastar dinheiro só para fantasiar com seu gosto de mulher que gosta de dar - coisa que diz-se rara. Ela é linda e ja fui apaixonado por ela; tenho muito orgulho de sua profissão, de seus lindos peitos pequenos e de seus cabelos naturais na cabeça e na boceta. Já quis amá-la muito mais que qualquer atriz de novela.

Ao amigo que chora de amor (pela falta, por parte dela; por excesso por parte dele)

Ai, como entristece
quando de amor sofre,
e chora melhor amigo nosso
- quem não se compadece?

Pior maldade não há
que a da mulher
que não quer
nos dar
amor. Pouco importa
humanidade! De que serve
nossa vaidade?

Sofre por querer um querer seu
de ser diferente do que se é
por causa da mulher.

Chora, amigo meu.
Pois nunca haverá
alegria maior que a amar!

chuva, mas que saudade.

chuva, que saudades tuas!
eu estava aqui, tão sozinho
o sono não vem, ninguém vem...
aí que tu me vem.

ainda bem que chegasse, eu queria mesmo conversar com alguém. sabe, tenho me sentido sozinho, dona. tu tá sempre acompanhada, não é? nunca te vi realmente sozinha, e só uns poucos te aceitam assim, como tu é. como Caetano cantou a poesia de Augusto de Campos e Péricles Cavalcanti: "(...) Nudez total: todo prazer provém do corpo (como a alma sem corpo) sem vestes. Como encadernação vistosa feita para iletrados a mulher se enfeita, mas ela é um livro místico e somente a alguns, a que tal graça se consente, é dado lê-la". só uns poucos te sabem ler, te ouvir tua voz. essa tua voz que é só tua, que todos conhecem, mas ninguém escuta. dizem: "é boa pra ninar", como se voz tivesse utilidade além de ser linda. a voz serve para vociferar, pra fazer soar, a utilidade da voz é existir como voz. ora, um mesmo canto em diferentes vozes viram diferentes cantos pois que o canto depende da voz. tua voz é linda e inútil, de tão linda. (como gosto das coisas lindas!; como gosto de ti!). já minha voz não. fico triste por não conseguir te cantar. e bem, é disto que quero conversar, justamente isto que me angustia: pra quem cantar? ó, dona... é triste não ter pra quem cantar e cantar pra ninguém. poderia cantar pra minha própria voz, pro meu próprio canto... hoje quero aprender a fazê-lo: cantar pra minha própria voz, já que é ela que canta em mim. mas eu e ela andamos de mal - eu e minha voz. veja só que arrogância: chamo-a de minha como se a possuísse, mas não é bem por aí. aliás, eis minha frustração: minha voz não é minha, é só dela, mas mora em mim. pra te falar a verdade, dona, nem sei bem do que falo (mas falo, porque meu falo é o que falo). sabe, é essa a confusão, é essa a solidão. tanto que converso (ou escrevo?) pra ti, minha única companhia. e companhia de todos os outros. ainda bem que a uma hora dessas te deixam cantar tão alto; cantas com, tanto cuidado, cuidado de mãe, esse teu, de cantar segura e forte, e ainda assim ninar uma multidão. se tu só pudesse ninar uma única pessoa, quem ninarias que honra seria! ó, que alegria! vê? assim que quero fazer alguém feliz: ofereço meu canto! e só. pequenino canto que tem voz, palavra, sentido, lógica, técnica, emoção, saliva, língua, atos falhos, sexo, medo, desejo, e não tem dinheiro. não gosto, não quero, não, não, não. minha voz é pra fazer amar. não é mesmo, dona? afinal, a essa hora quem não foi ninado está amando. só pode. ou chorando, mas chorando de amor: que é amar. ou então está no japão.

já vais embora, dona? gostei do papo. eu estava precisando. conversar com gente que não sabe cantar estava me cansando já. é sempre bom rever uma grande amiga, um grande amor. nessa época do ano tu canta com mais frequência, por quê? é sempre mais calor e talvez haja mais quem dance e quem ouça; no frio pode ser difícil escutar, porque os queixos batem, ou então o fogo faz barulho de fogo, ou então a touca tapa os ouvidos, ou então se escuta outra música, ou então se conversa, ou então se faz sexo, por isso no calor é melhor de te ouvir. as crianças não brincam quando tu está cantando, no máximo veêm um filme e tomam chocolate quente. ou então jogam video game. eu queria ir aí fora te dar um beijo de despedida, mas pode ser que eu fique resfriado, aí já não poderia mais cantar. por isso que estou te falando que quero cantar pra alguém que possa me ouvir depois de me beijar. isso é amor: utilizar de todas as maneiras possíveis todo o corpo e toda a alma; experimentar e se relacionar a partir de tudo e com tudo; descobrir eus novos em mims atualizados a cada canto através dos cantos. poder beijar, cantar, falar, lamber, degustar, morder, assoprar, sugar, sorrir, ou não, e ainda assim: amar.

tchau, dona. até mais. te amo.

olha lá, ela vai mesmo embora e bem devagar, elegante como só ela. por isso que eu tou aqui sozinho, grosseiro e mal vestido. pareço mal criado, não mereço mulheres assim, fortes, seguras e lindas como ela. não, não. vou pra sempre ficar olhando, encarando, contemplando daqui de dentro, e só. mas eu a desejo tanto e tanto, como eu queria que ela entendesse isso.


tudo isso é pra dizer que a quero, só preciso que ela cante pra mim. pra mim. não gosto que cante pra multidão e me deixe cá embaixo olhando e ouvindo, em meio aos ingratos, esperando que eu vá interpretar, ler sei lá em que linhas, coisas mal escritas, mal ditas; que eu jogue jogos cansativos, com regras rígidas e antigas.


quero um canto novo, só pra mim, e eu canto pra ti. teu canto só pra mim, meu canto só pra ti. teu só pra mim. meu só pra ti. canto. canto. meu. teu. só pra. só pra. mim. ti. sopra mim. sopra ti. sopra. sopra.

te amo.

(me ame. me.)
te amo.
te amo. te.

linda duvida vida linda

lindas morenas lindas
moças lindas línguas
lindas saias lindas
saia lindas saia
escreve linda
linda escreve linha
por linhas por lindas
nunca lindas minhas nunca
minhas lindas nunca minhas
linda a linda
ainda lindas femininas
femininas lindas
lindas meninas
linda antiga longínqua linda
morena menina feminina
lia e lia linda lia
queria linda minha
queria minha linda
sim sim som linda sim som são lindas
 inda   im   i    em   im
l        s      t   s     m
                                   li    a
                                     nd

linda, mimosa e dengosa (a vaca)

Tão linda que tu és, nunca reparei em ti. Tão óbvia tua cara, nunca reparei em teus olhos e te comi como como (se fosse) qualquer (outra) coisa. Te substituo assim, por qualquer piranha - mas não vivo sem ti.

Pobre de ti que do mundo não sabe nada!

Eu quero te comer todinha. Te saborear, possuir tua carne e tua beleza. Doar todo meu corpo para o ato de te comer: te amar. Quero te forçar para dentro de mim, te mastigar como se te beijasse - ou beijar como se mastigasse.

Pobre de mim que de ti não sei nada!

Teus olhos sequer existiam. Olhos, só os meus. Jaboticaba sempre foi fruta e mais nada. Aliás, fruta que nunca comi. Pobre de mim! Nanico ao teu lado; minha poesia e meu intelecto jamais teriam qualquer serventia para ti (jamais eu conseguiria compreender teu mundo); para ti sou apenas pequeno, fraco e sem chifres.

Querida, quero aprender a te amar. Mostre-se a mim! Juro que vou te procurar, a ti me devotar: mirar bem em teus olhos - morrer de medo de ti - sentir teu cheiro e dizer que te amo. Ninguém entenderá nosso amor. Nós mesmos não poderemos entendê-lo, e por isso vamos passar o resto das nossas vidas nos  pesquisando, nos experimentando, tentando entender, nos apropriar do amor: nosso amor.

Pobre do amor que não pode ser esse nosso.

Chamariam-no de outro nome. Loucura, libertinagem, falta de amor. Nunca admitiriam ser amor. Ninguém entende que não basta te comer, tenho que olhar em teus olhos melancólicos e amar tua tristeza de ser uma vaca. Ninguém entende que não basta seres útil e gostosa para mim, quero teu olhar de volta em meus e quero que ames minha melancolia de ser homem. Quero que me livres da pobre condição de ser homem: quero ser vaca como tu. Carregar tuas tetas e nossos filhos. Carregar toda tua dor contigo, e me oferecer como comida quando estiveres com fome.

Antes de tudo, quero te olhar, e ter certeza de que não sou eu quem está aí.

(Floripa, 4 de Outubro de 2012.)

Como fazer uma mulher se apaixonar em menos de uma semana.

Beije-a publicamente na Quarta-feira. Tome especial cuidado para que alguém próximo e querido dela entre em contato com vocês dois, juntos, durante esta Quarta; não a beije ou segure sua mão em frente ao tal amigo, mantenha-se sereno, distante e observador, a moça se excitará com o mistério projetado sobre o bom amigo (mistério falso, pois tua postura viril deve deixar clara tua intenção de beijá-la antes que finde a Quarta-feira). Assim que o cenário estiver parcialmente (certa dose de aleatoriedade é necessária a fim de que não dê a impressão de ser uma cena de filme clichê demais, ou um teatro de interpretações exageradas não convincentes; a grande dificuldade da cena romântica: parecer real). construído leve-a para qualquer lugar em que vocês dois não se sintam hostilizados (longe de semi-conhecidos, longe da possibilidade de encontro com familiares ou bons professores) e, enfim, a beije - não esqueça do óbvio que é o homem ter o dever de tomar a inciativa do beijo, Demonstre, quase que agressivamente, suas intenções sexuais com as mãos e pelvis; não seja carinhoso demais nesse primeiro beijo, ela pode assustar-se, ou pior, satisfazer-se.
 
Na Quinta-feira suma. Não dê sinal algum de interesse, afinal o beijo de ontem era tua comprovação de interesse; a ideia "interesse" já fazia parte do campo da relação de vocês desde o encontro*, e principalmente após o beijo, ou seja: o desejo, de um ao outro, foi criado no mundo das ideias, platonicamente falando. Todos sabemos da tendência contemporânea das mulheres de viverem amorosamente na fantasia, no ideal, por isso aparecer-se para ela como amante para ela logo no dia seguinte é tornar essa fantasia real, tornar o sonho real; ou seja, tornar-te-ias o ideal, utópico, irreal, inexistente: deixarias de existir; ser o agente realizador de sonhos é deixar de existir, tonar-se uma espécie de anjo, casto; o príncipe nunca transa com a princesa, nem sequer a beija com paixão, o que se mostra nos contos de fada é um beijo inocente que pretende, unicamente, salvar a princesa de algum mal que ela mesma, sozinha, não teve responsabilidade (habilidade de resposta) para solucionar, e a história acaba logo após o selo. Assim saciado o desejo, realizado o sonho de menina de rever o príncipe encantado logo no dia seguinte, a mulher passa a desejar outra coisa (assim como um bebê para de chorar, para de sentir falta, e de acordo com Freud, de desejar, e até nega comida assim que tem sua fome saciada, e passa então a desejar outra coisa, dormir talvez.).
 
Passada a Quinta-feira ausente, não a procure também na Sexta-feira - nada mais óbvio (entediante), e o óbvio nos parece detestável, que o dia seguinte ao seguinte. Demonstra falta de virilidade, como se se pedisse perdão por ter lhe faltado romantismo quanto se teve a chance (ligar no dia seguinte é um ato de romantismo). Saiba: ela comentará sua ausência com os amigos, e com maior cuidado e acanhamento o fará também para aquele que os flagrou na Quarta. Reclamará demasiadamente, e isso te fará ocupar-lhe o pensamento de forma intensa (a potência do afeto deixa mais resquícios que sua qualidade).
 
O grande segredo da conquista está no final-de-semana. Tenha a destreza de um dançarino, ou de um ninja, de que ela tenha uma forte impressão de poder te encontrar em algum evento: balada, festa de amigo em comum, ou qualquer outro local social alegre e prazeroso (ora, de que serviria encontrá-la em um velório? seria intimidade forçada; a velórios só se vai em companhia depois que a intimidade já foi conquistada pelo casal): comente com ela, ainda na Quarta-feira, sobre alguma banda (mesmo que ruim, pois eis a estratégia de se levar a moça em cinema para assistir um filme ruim: fica subentendido que o que importa não é o filme, mas o ambiente escuro, as poltronas próximas, o som alto e, principalmente, para ficarem juntos) que irá tocar naquele final-de-semana, lembre-a do amigo em comum que completa anos por esses dias, etc. Não dê certeza, de jeito algum, de sua presença. Menos ainda a pressione questionando sobre a presença dela: ela irá - esta certeza tu podes ter - e ainda será a mulher mais linda do local: tu a reconhecerás melhor por sua beleza irreconhecível que por semelhança com a bela moça que durante a semana beijaras. Ela estará vestida de forma que partes de seu corpo fique elegantemente à mostra; rosto pintado como a uma pintura clássica; cabelos sedosos sensualmente dispostos (dificilmente ela estará com cabelos soltos; os cabelos soltos são código de disponibilidade, os cabelos arrumados, o penteado, são código de dedicatória) para acentuar-lhe a beleza do rosto; unhas das mãos pintadas em consonância com suas intenções (alma e corpo da mulher são elegantes, mas as mãos - mãos cujas unhas te arranharão logo mais - de uma libertina, de uma pervertida); unhas dos pés também tão bem cuidadas quanto todo o resto do corpo, no entanto estas só serão exibidas juntamente com seu corpo nu (os enfeites nos pés não servem tanto para a ação de conquista, mas já para a consumação do conquistado). As unhas, das mãos e dos pés, trabalham, esteticamente, em relação à lingerie (ao que tapa e enfeita o genital, que é justamente a localidade da sexualidade adulta), eis por isso que mãos bem cuidadas são tão sensuais, e pés chegam a ser fetichizados, podendo até fazer uma mulher parecer vulgar (por ficarem distantes da cabeça que é onde se processam as percepções; é mais fácil, menos íntimo e nada vulgar segurar mãos, acarinhar mãos, beijar mãos, diferente do que seria segurar pés, acarinhar pés, beijar pés).
 
Chegue nesta festa do final-de-semana sem avisar e vestido casualmente, mas faça-se cheiroso (o perfume deve parecer mais caro que o próprio carro; teu cheiro deve demonstrar mais poder que tua posse, pois esse diz respeito ao teu corpo, ao que ela quer possuir ainda esta noite, enquanto o carro é artefato substituível). Não chegue muito cedo, mas tome cuidado também para não chegar tarde demais> ela pode queixar-se de ti para um outro que a conforte; ela pode ficar com a impressão de ser tua segunda opção ("O que ele tem de melhor pra fazer do que aproveitar cada instante aqui comigo?"); ela pode, ainda, perceber o jogo e desencantar-se com a confirmação da mentira (ora, toda mentira deve parecer verdade, eis o encantamento paradoxal).
 
Nesta noite tu irás conhecer as unhas dos pés da bela moça apaixonada. Como irás tratá-la no dia seguinte ao da festa (maquiagem borrada, roupas socadas; máscaras e fantasias quebradas, rasgadas ou simplesmente guardadas) irá funcionar como que em um experimento químico, e este tratamento é como a energia - o fogo, o frio, a manutenção de movimento - necessária para que a reação química dê resultado. Até então se estavas apenas como que coletando material, medindo as quantidades e os dispondo em um mesmo recipiente (o quarto, o carro, etc), a reação resultante desejada, "mulher apaixonada", se dá apenas após o descanso: o ato sexual ainda faz parte do campo da conquista, somente no pós-sexo (que obrigatoriamente deve ser o "dia seguinte" caso se queira que a mulher se apaixone de fato) é que se forma o composto "mulher apaixonada". Por isso a trate bem, seja cortês: acorde antes dela e sirva-lhe café com bolachas, ou pãezinhos frescos, geleia, manteiga; deixe a disposição opções como sucos, iogurtes, achocolatado, e o que mais lhe vier à cabeça - todos os produtos exibidos devem ser de extrema qualidade.
 
Feita apaixonada a mulher desenvolve-se outra dificuldade que é a manutenção dessa relação. Tome demasiado cuidado, não mais com a destreza de um dançarino ou ninja, mas de um artista completo: poeta, músico, pintor, ninja, cientista, filósofo, etc - tudo ao mesmo tempo. Inúmeras variáveis surgirão que poderão interferir e reagir com a relação estabelecida entre vocês, como um amigo apaixonado, ou um ex-namorado. A agressividade e a virilidade são necessárias para este primeiro momento da relação amorosa, que é mais perversa do que propriamente amorosa. Por isso, ao tornar-se artista a fim de desenvolver a relação, deve-se ao mesmo tempo ser poeta e tarado: a perversão do poeta não é suficientemente pervertida, por isso, inclusive, a dificuldade que algumas mulheres encontram de perceber a paixão da carne de um poeta (a paixão no discurso e na ideia se percebe imediatamente); ou então ao contrário: estranha-se tamanha perversão-não-perversa-amorosa e chamam ao poeta de cafajeste); o artista tende, também, a começar sua relação pelo fim, pelo amor, por isso, logicamente, terminam no começo: na paixão (o artista sofre eternamente a paixão, diferente de quem permite que a paixão morra - transforme-se? - a chegada do amor); no entanto o amor do artista não morre nunca, diferente daqueles que carecem de paixão, e por nunca deixarem de amar os artistas tendem a ter muitas amantes e por colocá-las em suas obras, o que as enciuma umas às outras e as distancia (mas estas mulheres nunca diminuem seu amor pelo artista, pois é absurdamente honesto e por isso é irrefutável, e assim inesquecível).

Eis como fazer uma mulher se apaixonar por ti em menos de uma semana. Agora, fazê-la amar é outra história.

*Em inglês a palavra "date", que se traduz por "encontro", já supõe um encontro de paquera, de intenções românticas, sexuais ou amorosas, e é dessa forma que uso a palavra "encontro" aqui.