Postagens

Mostrando postagens com o rótulo mãe

Novilíngua sem limites, lobotomia hoje se chama psico cirurgia

A psiquiatria, associada à neurologia aplicada, é o único ramo da medicina que não se preocupa com o paciente adoecido. Seu sucesso consiste em mudar o comportamento do paciente, e porquanto se diga que o problema a se resolver é um nervosismo incontrolável, tanto o repórter quanto o profissional de jaleco entrevistado concluem que o sucesso foi ter feito o rapaz agora lobotomizado já não dar mais trabalho à família.

Nunca se ouvirá de um médico que deseja curar um paciente com câncer afim de dar menos trabalho aos familiares, no entanto a psiquiatria invariavelmente intervém em um sujeito por causa dos outros em volta dele, nunca em nome do bem estar do sujeito que diagnosticam.

A cirurgia dita inédita, desenvolvida durante os anos 30 em Portugal, recomendada para quem sofre de problemas mentais, parece resolver os problemas de todos exceto de quem é diagnosticado. Repare nos movimentos do sujeito psiquiatrizado, o olhar vago, baixo, inexpressivo, porém manso, domesticado. Não está sequer normalizado, mas neutralizado, que parece ser o único resultado possível da psiquiatria contemporânea, da ritalina eletro choque. É preciso relembrar que lobotomia não é novidade e há tantas pesquisas comprovando sua ineficácia quanto é certa a agonia que nos causa a ideia de seccionar nosso cérebro.

O repórter começa e termina a reportagem sem falar do paciente, mas insiste que a mãe, essa sim, finalmente pode viver uma vida tranquila com o filho. Ela deveria se perguntar, ainda é o mesmo filho? Qual a relação entre cérebro e mente, entre mente e ser? O comportamento é sintoma do que não devemos ser, ou justamente o sintoma de não sermos o que somos? Agora, com o filho manso, inexpressivo e de conexões no cérebro literalmente partidas, a mãe pode esfregar a mão no cocuruto do filho, e todos assumem que isto é carinho. 

Não me parece uma questão simples, envolve sofrimento em todas as partes. Argumentam contra a agressividade do paciente, mas em momento algum se perguntam sobre as causas dela. Para se tratar uma dor de cabeça é preciso saber sua causa? Uma dor de estômago se trata diferenciadamente caso sejam gases ou câncer. Se estão assumindo que o temperamento do sujeito é doença, não deveriam buscar causas, e trabalhá-las afim de experimentar a cura? Mas não, assumem que caso anulado o sintoma, caso anulado o estorvo, logo o problema foi resolvido. Em sua explicação, o cirurgião ainda explica que o procedimento "causa uma pequena lesão controlada para 'tentar' controlar aquele sintoma", e quando quer falar sobre os males que provoca o sintoma ele gagueja, lhe ocorre um lapso, faltam palavras, mas resolvido o conflito na consciência assim conclui, o transtorno da doença afligia a família, não o doente. 

Fizeram a mesma cirurgia em uma criança de 12 anos, e dizem que passa bem, isto deve significar simplesmente que sobrevive. Só e somente querem controle sobre a agressividade, não se fala uma única palavra sobre o bem estar do paciente, nem uma.

Os piores filmes

The Room, porque é ruim em tudo, não há nada, é esqueleto de um corpo doente, um clichê, desnutrido, come qualquer coisa. Enredo fraco, personagens ruins, cenário qualquer, texto mal escrito, fotografia sem propósito, som mal colocado, edição mal feita. Mas este filme nos revela segredos, a virtude de Wiseau é fazer da pior maneira o possível o que a Globo e Hollywood se esforçam para maquiar.

Eu não faço ideia do que estou fazendo com minha vida, de Clarice Falcão, e de fato não sabia, nem deveria tê-lo feito. É parecido com The Room, não há o que assistir, mas compadecemos porque ela tenta, é deprimente. Tenta fazer diálogos que interessem, reflexões cativantes, tenta, logo não consegue. Wiseau não tenta, faz, e da melhor maneira que consegue, sozinho, e compôs algo imbatível. Este filme da ex Porta não tem porque.

Minha mãe é uma peça deveria ser drama. A personagem mãe do autor é tão preconceituosa, tão grosseira, asquerosa, é sujeito mais desagradável que David Brent ou Michael Scott, com a diferença que neste filme da Globo a piada não é o palhaço do canalha que faz piada com gordo, mas o próprio conteúdo da piada, como se a expressão rolha de poço ainda tivesse algum resquício de graça. Nunca teve e não tem. A mãe passa o filme inteiro humilhando os filhos gay e gorda, sem dar a mínima atenção para o adulto, hétero, casado, sob a justificativa de que este já está resolvido. É uma mãe que ignorou o filho que fez como ela queria e humilhou os que não quiseram ser ignorados. Há mães assim, que amam no abandono e na humilhação. Não entendi a comédia do filme, uma única cena em que a tal mãe conversa com sua irmã e falam mal de homem, ali ouvi piada, clichê, mas com alguma graça. Não terminei de assistir e acho incrível que haja continuação. A única atriz que nos convence de ser o personagem que é é a gorda, boa artista, mas não sei como se prestou a tamanha humilhação.

Nunca assisti Transformers, não lembro de Velozes e furiosos, e outros como Homem de Ferro 2 e os novos de super heróis, tenho certeza de que todos merecem lugares em listas deste tipo, mas não pecam em produção e costumam agradar parte da demanda, o grande defeito é serem tão comuns e irrelevantes, são mais caros, mas como entretenimento não são tão diferentes de programas domingueiros de auditório, o público é que é diferente, a oferta só se adéqua. Blade Runner não mereceria estar nesta lista, mas não suportei terminar de assistir.

Ontem assisti o francês Raw no Netflix. Não sei em qual o gênero pretende se encaixar, mas é o mais aterrorizante que já vi. As cenas do trote universitário, o professor cuzão, tudo nos deixa angustiados e ansiosos. Eu deveria ter percebido que seria um terror, gênero que detesto, na cena da biblioteca, em que o diretor coloca a irmã da protagonista para nos dar um susto gratuito. Nada de mais, gratuito mesmo. Não consegui me manter fitando a cena em que personagem vomita o muito cabelo que comeu. A última cena que suportei foi a em que a irmã mais velha força a virgem mais a nova a se depilar, sob a justificativa de que todas as meninas fazem, em nome da abstrata beleza. Não bastasse a tortura da própria dor física de depilar-se a que muitos se sujeitam, a protagonista o fez contra a vontade, suportando a tortura de não negar uma gentileza da irmã em nome de um padrão. Após alguns golpes de cera, a irmã mais velha percebe alguma merda que fez e decide usar uma tesoura grande e de ponta para concertar sei lá o que próximo à vulva da irmã. Talvez este seja um filme sobre o pior possível, se na ausência dos pais só ocorresse o pior. A caçula grita uma frase que devia ser simples a toda mulher entender, minha vagina, e chuta a mão da que empunhava a tesoura decepando a ponta de um dedo. Não consegui nem parar o filme, a Jhu que o tirou, meu desconforto foi tão grande, senti ânsia de vômito, pernas fracas, mãos trêmulas, fiquei não sei quantos minutos no banheiro chorando, e não à toa este é o parágrafo mais longo deste texto inútil e catártico, a angústia é real, este filme é terrível. Talvez seja a proposta, é infinitamente pior que a fantasia de Jogos mortais, ou mesmo a crueza de Faces da morte, foi uma das piores experiências que vivi, pior que parque de diversão, pior que descer o fosso de luz do meu prédio para resgatar o Pipoca, este filme me assustou mais que apanhar, foi um golpe nalgum trauma com que não quero lidar, não recomendo a ninguém que sinta.

Valiosa figura de ação imóvel

  
A dona do boneco não deveria trancar o quarto dela por causa de criança. este episódio foi ilustrativo a muita gente. criança aprende a negociar com traumas assim, como poderia ser diferente? A mãe é que ainda não se flagrou que se escusa da responsabilidade de ser justamente mãe, a dona do boneco lhe deve absolutamente nada, nem explicações ou empatia, assim fez só e somente para evitar maiores conflitos. A mãe deve resolver a questão com o próprio filho, não dar lição de moral na filha dos outros. 

A dona dos bonecos Marvel deveria começar a expor seus bonecos na sala, traumatizar cada vez mais mães e filhos, e pais claro.
Se pode pé
pode ser mão
Se for olho
pode orelha
Se for nariz
Nariz será
Já, se for boca
pode ser cu.
O pau tá para os lábios
como a boceta
e seus os lábios
se beijam e se mastigam,
duros sem dentes dentadura,
se for língua lambe.
Pode ser umbigo,
e se for umbigo,
pode ter mãe
se tiver pai,
pode ser sorte.
Se for morte
só pode estar vivo
Se for, pode ser
acidente ou sem querer
querendo. Se for,
será triste se pôde ser feliz.

Se pode pé
pó de estar sob o chão
de pó, se for de estrelas
pode estar dependurado,
pode ser pelo pescoço
pode ser pela cintura,
se acorda, se não for corda
mas for amor.