De vez em quando olho uma linda moça que passa E só o que eu queria era poder fitá-la pelo resto de minha vida Ver sua escura saia fina balançar ao leve sopro de meu levado amigo vento Penetrar o soslaio de seu olhar que tenta brilhar pelo perfil de seus cabelos coloridos Metros e mais metros de pernas que carregam toda a tristeza de estar longe de mim Pra longe de mim. Só, passa, já passou. Tão linda quanto uma única flor repetida mil vezes Escapada de um portão pátrio Aberta, escancarada, arregaçada feito bico de pinto faminto Úmido feito amor e saliva e choro e boas vindas À tua frente os seios se mostram sempre Em volume e lembrança, segura e criança Balança com as batidas dos pés e do coração Que cai e choca E morre no concreto, nas pedras, nas cincas e no cinza do chão Por onde passou.