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Cereja Azul

Lígia não existe

Lígia não existe. A prova disso é que antes de ela surgir na tela ninguém sabia de sua existência, e quando ela finalmente surge me vem a certeza: essa menina não existe, nem nunca existirá. Ela sabe disso. Tanto que quando tenta dar um primeiro passo dentro de sua existência, uma parte de si congela como que em dúvida sobre seu desejo de ir. Ir aonde? Lígia e ela mesma estão em uma praça, mas quando Lígia (ou ela mesma?) experimenta existir, eis que se encontra em um gramadão, um bosque.

O primeiro encontro de sua existência foi com um menino sujo de terra, mas que não se importa com a terra, tanto que para ele nem parece surtir incôodo de sujeira, a terra faz parte de si, de sua grande saúde - ele é a própria terra. O menino a oferece o contrário do fruto do conhecimento, ele a oferece o real, sem representações: a comida (vida), o gosto de sal (sabor que nos libidina, desejo que explicita a falta de sabor de existir realmente, falta que mostra adiante a morte, morte certa que torna urgente o desejo de ser feliz, de gozar), e um fumo (que sacia temporariamente a frustração de nunca, nunquinha, poder saciar completamente sua falta, pois que seria não ter mais o que desejar, o que a tornaria louca ou morta). O real não fala. Toda palavra é representação de um real inalcansável. Quando o silêncio, quando a realidade ameaça arrancar as entranhas de Lígia e levá-la a um êxtase de existência, ela fala. O tempo está passando. Você não entendeu nada! responde a terra à besta falante. Tempo... ora! Te ofereço a vida, elides a morte.

Um viajante tenta ajudá-la a acender o fumo, mas seu impulso que faz a máquina-fósforo entrarem combustão é ipotencializado pelo destino do vento. Então o viajante se dá conta. Se agora ele existe, antes não existia, e portanto... logo não existirá mais! Cadê outros fósforos? Acabou-se! As coisas estao deixando de existir! Acabou-se mais uma existência e logo mais será a minha!

Lígia corre. Antes estivesse nua pra não ter que usar um vestido que a esconde e a distancia do mundo onde quer ser existência. E ela corre. Não quer apagar-se como tudo o mais no universo. Que importa universo?

Bum! Eis que tromba com um palhaço no caminho, que se vira em sua direção, sorrindo, lhe oferece um isqueiro para acender o fumo. Ao olhar pra Lígia, insuportável beleza, se toca: as coisas deixam de existir quando paramos de acreditar nelas. Acreditar é amar. Não posso amar quem não existe. Preciso acreditar para amar. Não, Lígia não existe. O amor não existe! Um som surdo. Um anti-som. Palhaço desfia golpes de machado em Lígia e depois joga-lhe fogo e depois joga-lhe um balde d'água. Será que não morreu? Quem sabe. Lígia talvez nunca tenha existido. Talvez nunca tenha saído da praça. Mas é um alívio, finalmente o silêncio reina e começamos a sentir presente a ausência de Lígia. Dá saudades. De quem? De mim? Nunca houve ninguém ali. Ali, a li, li ia, lí g ia.

O pahaço toma o lugar na praça de lígia. Que lígia? O menino-terra senta ao lado do palhaço, e como se ninguém mais tivesse nome, como se ninguém mais fosse eu, inútil o menino diz: eu sou o universo, sou a coisa mais importante para mim, Lígia.

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