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Mostrando postagens de 2015

Cereja Azul

Quantização, afinação digital, música ciborgue

Sinto que todo álbum novo de música popular que ouço utiliza de recursos digitais pra precisar tempos e notas, pra realizar o ideal do metrônomo infalível e da escala cromática de 12 semi tons.  Há boas composições, mas se maquia o intérprete. Maquiagem pode realçar detalhes do belo, pois que há o feio. O músico estuda o metrônomo pra sentir o groove , e a partir dele, por que não, dinamizá-lo. Um maestro ao reger não usa metrônomo, usa-o em um momento anterior, para estudar. Músicos bons reproduziriam ao vivo a mesma técnica do gravado, se assim o quisessem, poderiam gravar ao vivo, sem metrônomo. Como seriam o ralentando, a fermata, a troca de compasso? Eis o problema da afinação, o absolutismo das notas, o Lá sempre 440HZ, é possível e praticável, mas o que interessa à tonalidade, e esse é um problema de nosso tempo, é a relatividade entre as alturas das notas. Ouvir o pouco ou o muito que desafina um cantor é ouvir o quanto ele é bom, é ser afetado pela reprodução da voz d...
conc entr ação entr e  o  centr o de  si ocupando a ofici na cabe ça se va zia o dia bo ocupa ria

Te trairei

Te trairei no inverno quando o frio da maldade me armar com sua lança de gelo, e teu coração vier em direção oposta ao calor que em ti sinto.

Ilhada

Te gosto assim Coberta em graxa Imprópria, profanada Usada, vivida Te quero assim Cheirando a mar Que não cheira mar Odor de dar calafrios Um fedor de amor eterno De infância, irrecuperável Te quero cabeluda Crespa, volumosa Me afogar nas ondas, Debaixo dos caracóis De teus pentelhos Beijar onde a vida Ainda não se fez Te quero nova, intocada Virgem, muda De véu e shorts De burca, na Lua Chula, refletida Na lagoa, duplicada Velha, maltratada E amada, ilhada.

Beija mor

Há quantos anos Não via um beija flor Calmo lilás estamos Nem parece amor

Fica

Teu lado da cama Acordei sozinho Feliz pois que a chuva Negra regou minhas Flores ideias, mas triste Podias ter ficado Mantemos uma distância respeitosa Entre Israel e Japão Entre 87 e 96 Entre morrer aos 27 E amar virgem primavera Entre cozinha e banheiro Entre o som e o fetiche Entre trabalho, ócio e emprego O períneo Entre a dor e o carinho Podias ter ficado Eu podia estar ocupado Mas nosso caso é antigo Tem meses, anos a fundo Fiquei quieto Gosto de ouvir Os detalhes E usar cada palavra Metáfora, amor Jogar a comida na tua cara Te lamber sem dizer

Compor-te

Música Saudade Solidão Chuva Um tom qualquer Modulações e síncopas Contratempos, contrapontos Coros dissonantes Retorno diferente Te conquisto Convenço, seduzo Me afasto Retorno pro fim Chuva Solidão Saudade Música

Ausência presente

Se for pra bater forte Dê na cara. Quero sentir a ardência, Paixão, eterna doença, Em meus lábios. A marca, a cicatriz, O veneno, ácido fingir Tantos amores. Amor para acordar. Amor para almoçar. Um apenas pras quintas. Que não seja claro, Nem escuro, nem lui, Nem luisa, seja negro Buraco por onde os corpos Deslizam, chupando até O fim do rosa existir. Somos um limite, Ou morte, ou sexo. Nada mais, hiatos são hiatos, palavras são Palavras. Te amei, E te amo, nunca mais Te amarei enquanto Não estiveres presente.
cabes na minha mão, onde deitas felina e, lua, brilhas amante. nova, mínguas cheia, és a cor mais azul que o céu, mais sin fonia na forma da cin tura que sonata ao luar. um soneto sonolento , sombra sonâmbula, um fado safado, uma, duas fadas nuas, luas, ruas tuas, crueldades cruas, romântica semântica, desamparada, desapageda, sorrisos, sóis e rios de risos, melancólica rainha abelha gorda, geleia natural, imortal, tal qual mel e vênus. brilhas pequenina, feminina, mais fê que menina, mais sua que saudade, sacra secreção, e sua e soa, ecoa, escorre pelos anos, sai pela boca.

Review de "Talk", o primeiro disco solo de Daniel Johns

Escutei bastante o "Talk", disco novo do compositor do Silverchair, Daniel Johns. Gostei do que ouvi, no entanto não há muita novidade durante o disco, e o elemento surpresa é do que mais gosto na música de Johns, que está entre meus compositores favoritos, Paul McCartney, Michael Jackson, Tom Jobim, Prince, Beethoven, ainda outros, como Van Dyke Parks, que trabalha nesse disco como arranjador de "New York". Gosto do primeiro single, "Aerial Love" , tem uma boa melodia, frases longas, não muito óbvias, mas a estrutura geral é repetitiva. Aliás, durante todo o álbum tenho a sensação que a mixagem das partes, os arranjos, não são tudo o que poderiam, fui realmente notar na beleza desta melodia quando ouvi uma releitura pelos New Black Shades , as batidas não são muito fortes, marcantes, as viradas me parecem apenas preencher, "Warm hands" me dá esta sensação. Até "Cool on fire" , o segundo single, do qual não gostei muito, o á...

21 de Junho

O primeiro dia de inverno Hoje amanheceu Uma bela primavera. Flor enluarada Escorre um leite Que ferrão mel suga Poliniza coisa alguma. Gozo desde as estrelas Acerta o corpo, a face Toda mata que há tempos Não era tão virgem. A tarde, inútil de um sol Negro e macio, escorrega Feito fosse fácil amar. Liber responsabilidade, Saliva na Lua na testa da fada, Veneno que se espalha Bebemos, espelha Numa taça de mentira Bebes, te lambuzas. Te escondes e te tornas branca, Estaremos juntos, dividimos Um pedaço da morte. A noite alva melancolia, Solidão sólida leve companhia Nunca mais a vi nua Apesar de tê-la Toda nua a vista.
simples, simplezinha estrela pequenina som sem peso, sem medo de ser palavra sem máscara
acho que entendi chorão e erik satie dó e fá sustenido si
sigo fazendo minhas pobres rimas só quem não começa sabe onde termina
Boa noite, Sol, pra ti que sempre é dia. Deixa-me só aqui com a Lua fria.

Conversa de ônibus

De que adianta Em um ônibus lotado Indo ao emprego apressado Desejar ter um carro Entrar na fila que não anda Não anda, não devido a multidão Ou à necessidade do trabalho Mas ao espaço ocupado Pelo pesado e volumoso carro Frete de uma única mercadoria cidadão Muito se reclama do pouco dinheiro Trabalha-se até ficar estressado Levando esporro do chefe coitado Cujo único orgulho é seu filho carro E seus ex-cravos murchos o dia inteiro Falta-nos investimentos pros sonhos Viagens, pros jantares de eternos namorados Milhares, milhões, até mesmo os trocados São todos jogados aos carros Aos petroleiros e asfaltos medonhos Não sei se é papo de pobre Ou de quem sente sufocado O canto do pássaros, e se sente atordoado Pelo rosnar ensurdecedor dos carros Ocupando o ar sem deixar que a música sopre Abaixo a delirante tirania Do luxo, do lixo de aço Frio, vil, viril, macho machucado Impotente, antifálico, assassino carro O gozo do...

cabeça

tem um buraco na cara que se mexe e fala por outro entra ar ou saem pêlos de homens e mulheres do topo da cabeça de todo mundo quase dois buracos preenchidos vistos daqui parecem um só mas são dois pequenos olhos que vêem tudo gigante de cada lado tem um buraco que se encontra bem no meio o universo ecoa inteiro no delay do pensamento

Luisa

Onde estais, Luisa? Ultimamente sinto que não és mais a mesma. Será que eu mudei? Com certeza mudei, mas tu mudastes também. Como se eu me esforçasse para enxergar alguma coisa, e esse esforço da visão fizesse meus olhos chorarem (pois é logo atrás dos olhos, na região orbitofrontal, que localiza-se o "eu" no cérebro, forçar a saída do "eu", ou a entrada de algo logo na cara do "eu" pode fazer chorar). Acho que tens outro. Sei que eu mesmo tenho outras várias, mas nunca deixei de te amar. Elas outras nunca me amaram. Mas nem tu me amaste, sim? Para além de minha alegria, sei que estarás sempre ali, ao alcance de minhas mãos, da minha boca. Sinto-me insuficiente para ti. Não falo bonito, não sou carinhoso, minto emoções, forço situações... Acontece, minha amada Luisa, que mal sei amar! Quero dizer, me esqueci como se faz. E é exatamente assim que se faz: esquecendo como se faz. Amar é esquecer como se ama. E eu te amo, Luisa. Te amo como a uma porta no d...
Quero ser ruído de mar Tão suave que quase imperceptível Tão forte e profundo Que eternamente presente Quero ser silêncio que procuras Em meio ao trânsito À tormenta, o silêncio que falta Quando o ciúme agita Quero ser o impossível Mergulho profundo e refrescante O gozo da queda E a aventura de dormir Quero ser o que regula tua temperatura E te apavorar Com a iminência de um tsunami De te amar Teu transtorno no verão Teu próprio verão Aquele que abandonas Quando quente o mar e fria a lua Quero ser ruído de mar Que aos domingos chora contínuo Não sabes se pra ti Mas cuja lágrima azul clara rosa tem teu nome O ruído mais suave Mais rouco, pouco O que prova tua ineficiência Não sabes amar Mais distante que o céu Quero ser o que está dentro de ti Na lembrança, num vai e vem Quando te faltar pai ou estar nua Quero ser o moreno, o frouxo Que de tão azul, não soube ser mar O ruído em frente ao teu quarto cantando O dia podia ser mulher, ser melhor

Sucesso

Faço o melhor da minha vida Me entrego, sincero Choro, nu, em público E aqui estou Só Esperando o ônibus Primeiro da madrugada Pra que? Ficar um pouco contigo E tu nem aí Grudada a cara no celular Com quem tanto falas? Onde querias tanto estar? Pensei que te impressionaria Que olharias pra mim Mas ao fim falo besteira E cá estou Tendo dado tudo de mm Sem ser quisto por alguém Nem por quem Acredito Já me amou Quanto glamour Viver de arte é isso Quinze para uma Quinta-feira Esperando o ônibus Estrela rocha na ilha mágica

ciúmes

como encarno, não apenas visto a pele,o lobo, nada mais justificável que eu seja também agredido. essa luta não é minha, antes é contra o que me tornei. posso livrar-me disto, pergunto a chuva, pois que a mulher já não me quer.

Calma

Calma Com muita calma Largo, na valsa Em silêncio Pra nunca alguém encontrar Feito uma casca, um buraco Na alma A fala falha A mente mente Em silêncio Na luta em não despertar Se mostrar aos monstros Sem máscara Pra que inventar que é azar Quando é par de meus ais Quanto mais me afogar nesse mar de pensar Mais perco a calma
Que nunca me falte A clara letra c Na alma.
calma   alma ca ma   a ma clama   lama cla   a