Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de março, 2017

Cereja Azul

Funk é filho de samba, do rap, sob o império do pop, na nação bossanova

Em nome da tradição se endurece e desbota, a vida se alegra quando se alarga. O samba nasceu, o morro é pai, agora brancos querem dizer o que se deveria fazer para estetizá-lo melhor. Mas Arte não é objeto, e como um sujeito rebelde, o samba cruzou com quem quis e quem o quis. Bossanova não é samba, é mulato de classe média que estudou o Brasil no exterior. Se ganhou o reconhecimento que ganhou internacionalmente é talvez porque tenha feito um bom trabalho, e consigo levou tudo o que lhe formou, de samba a Bach. O Brasil passou de exportador de matéria prima, banana, café, o que há de mais primitivo no mercado, e passou a exportar Arte, quem diz é Tom Zé. Em nome da tradição a música brasileira poderia estar fadada ao bairrismo e ao prestígio exclusivo de certos nichos, como já acontece com choro e o próprio samba. Popularidade não é sinônimo de qualidade, vide Romero Britto, juízo de gosto idem, vide estreia de Le sacre du printemps de Stravinsky.  Funk é filho de samba, do...

Se o MBL falou, tá valendo o contrário

Imagino que as mazelas da colonização pelos brancos na Angola são diferentes das no Brasil. Vale a leitura e reflexão do livro Pele negra, máscaras brancas de Fantz Fanon.  Ora, depois de quase meio século de escravidão no último país a abolí-la formalmente, ou é ingenuidade ou má fé comparar, sem ressalvas, a problemática dos negros com a dos obesos. Muitos grupos minoritários, não porque são em menor número, sofrem prejuízos em decorrência do preconceito da maioria, que também não a ver com quantidade, suas origens, efeitos e máquinas de guerra são diferentes, os loucos, as mulheres, os engajados nas questões de gênero, os negros, os obesos, os árabes, os pobres, etc. Há e haverá aquele que, pela cor ou classe, é oprimido, mas que encontra privilégios da maioria, da casa grande, via acordos contra o próprio grupo a que pertence. Vemos filmes sobre judeus que ajudaram nazistas, negros que ajudaram escravocratas, etc. Por exemplo o jovem conservador Fernando Holiday, vereado...

O Estado hostil contra a Música forte

  O vídeo chega a assustar pela truculência diante de um conflito tão banal quanto volume de música em um Sábado à tarde, faltam mandado e medidor de decibéis, sobram armas e confiscos. Não adianta argumentar com o funcionário, militar responde à corporação e outras autoridades. No começo do vídeo o policial faz uma pergunta mui pertinente, és advogada? Se fosse, pela Lei, o funcionário público teria de mudar o tom, chamar de doutor e outras bobagens. Militar não responde às mesmas leis civis. Não estivessem uniformizados, ninguém teria dúvida de que se trata de assalto, e esta deve ser uma questão central da discussão, o Estado ampara e legitima este tipo de arbitrariedade, vide reintegrações de posse, apreensões de fantasias políticas e toques de recolher durante o Carnaval. É inútil discutir essas questões com um policial no exercício de seu ofício, militares são treinados para suportar ofensas e pressões psicológicas muito piores que nossa civilizada consciência poderia articul...