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Cereja Azul

Formação de público em tempos de playlists e algoritmos

Em 1964, todas as pessoas, com raras exceções, só conheciam artistas novos por rádio ou televisão. Desde antes disso, mas até o final da década de 1990, por mais que algumas crianças já conhecessem seus artistas favoritos sozinhas em seu quarto pela MTV ou outro canal de música que seus pais não assistiam, ainda assim os pais conseguiam saber minimamente, e conhecer até uma música ou outra, de uma nova banda de rock ou diva pop que seus filhos adoravam. Zininho e Dazaranha produziram e publicaram naquelas épocas, as telas e as caixas de som eram mais compartilhadas por todos. Não me entendam errado, não estou dizendo que aquilo era melhor, só que era assim. Isso implica em uma formação mais homogênea do público. Das décadas de 1940 até 1960 havia um desafio particular na divulgação de uma música, em Florianópolis existiam apenas duas estações de rádio, Guarujá e Diário da Manhã. Zininho trabalhou nas duas, e foi especialmente na Diário da Manhã, onde foi locutor, cantor e sonoplasta, e também escreveu radionovelas e programas com música ao vivo, como Alma Sertaneja e O Bar da Noite, que se tornou bastante popular. Em O Bar da Noite, Zininho colocava uma banda incrível para tocar, ao vivo, suas canções, entre outras, para serem interpretadas na maravilhosa voz de Neide Maria Rosa. Quando, em 1964, Zininho inscreveu o "Rancho de Amor à Ilha" no concurso da prefeitura, Uma Canção Para Florianópolis, ele já era um artista consideravelmente popular e bem-quisto por muita gente na cidade, das camadas mais populares às mais abastadas. Tendo ganhado o concurso em primeiro lugar, o que fez a obra ser consagrada como hino não foi este edital do município, mas sim uma homenagem em 1968 dada sua imensa popularidade. Há um áudio de Neide Maria Rosa, no Arquivo Zininho custodiado pela Casa da Memória, voltando do Rio de Janeiro para Florianópolis e sendo absurdamente ovacionada por todos, é algo inimaginável para um artista ilhéu hoje em dia. Dazaranha, cujo início da carreira nos remete ao final da década de 1980 e começo de 1990, dependia da mídia de uma forma diferente. Quem cresceu assistindo televisão e ouvindo rádio na década de 1990 mal consegue imaginar um programa liderado por um compositor, com uma banda ao vivo, tocando suas próprias músicas, como acontecia em O Bar Da Noite, quando eu era criança e pré adolescente, se o programa não tivesse mulheres seminuas, reportagens sensacionalistas ou artistas, na verdade, celebridades, que garantissem a audiência, dificilmente seria transmitido em uma grande rede. O Dazaranha foi uma das poucas, quiçá a única banda de Florianópolis de sua época, que conseguiu atravessar a inundação de artistas de São Paulo, Rio de Janeiro e de fora do Brasil, e é excelente e surpreendente que estejam na ativa batalhando nos tempos de hoje, na era dos streamings.

Do público não se exige o bom gosto, é ofício do artista formar o gosto do público. Antes de ouvir Silverchair, eu não sabia que gostava de Silverchair, antes de ouvir a trilha sonora de Katamari, eu não sabia que era possível que música ser fosse de tal jeito tão fantástica, e assim meu próprio gosto pessoal mudou e se expandiu com o que os próprios artistas me ensinaram a ouvir. A questão é que novos artistas não conseguem, hoje, alcançar sequer um público nichado, imagine então aquele grande público dos tempos de "Vagabundo Confesso" ou, mais difícil ainda, aquele das épocas de ouro da rádio. Nós, músicos e artistas, dependemos desse canal para formar o público. O público não nos conhece, não sabe que precisa do nosso trabalho, ainda mais se nossa obra é diferente e, digamos, esquisita. Precisamos que eles conheçam nosso som e que o ouçam de jeitos mais intuitivos, sem precisarem sair clicando em vários links, buscando sei lá onde, no pouco tempo livre que têm. Nossos temas não podem estar apenas perdidos em uma playlist misturada só com músicas de amigos e que escutamos quando queremos mostrar nossas próprias músicas para outras pessoas. Quem se dá ao trabalho de pesquisar novas músicas é um pesquisador, um entusiasta ou um curioso, e este não é o temperamento padrão da população. Não acho polêmico dizer que a maioria das pessoas escuta aquilo que aprendeu a gostar, principalmente da pré-adolescência até seus 20 e poucos anos, e são absolutamente resistentes a novidades, detestam a sensação de estranhamento em uma música, filme, etc. Tom Zé não deixou de fazer música boa durante aquele seu período tratado como ostracismo, mas, de fato, ele voltou a ter a influência merecida quando alcançou seu público depois de afetar como afetou o David Byrne.

Não podemos, jamais, nos queixar do público, exigir que eles compareçam, argumentar apaixonadamente sobre a dependência do artista independente da sua arte para a subsistência ou sobre a importância da arte local, e sei lá mais o quê. Ainda mais hoje em dia, que eu nem sei para que escrevo tanto, já que ninguém escuta ninguém. Precisamos seduzir, como idols, sem sermos clichês, precisamos ser belos e fazermos bem aquilo que fazemos. Não faço ideia de como se torna isso realidade, mas para que o músico pare de tocar só para músico em Florianópolis, vamos precisar nos infiltrar em Maratonas Culturais, televisões, rádios e nos palcos prestigiados frequentados, ainda hoje, pelo Dazaranha e pela Camerata. Este quinhão deve ser melhor distribuído, sim, o dinheiro público precisa ser destinado à cultura, sim. Depender do capital privado é depender da boa vontade de uma burguesia que só quer lucrar, não importa com que porcaria. Por isso a importância de criarmos uma Cena, um coletivo de luta e, quem sabe, até almejar esferas mais políticas, como uma formação institucional de representação dos músicos associados a esta Cena.

Destarte, os principais erros do artista são dois, responsabilizar o público por não se interessar por nossa obra, pois nós somos os responsáveis por seduzi-los, e adaptar nossa arte ao gosto popular para tentar ser palatável. Nós formamos o gosto do público, nossa obrigação é uma e uma só, inventar música.

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