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Cereja Azul

chuva, mas que saudade.

chuva, que saudades tuas!
eu estava aqui, tão sozinho
o sono não vem, ninguém vem...
aí que tu me vem.

ainda bem que chegasse, eu queria mesmo conversar com alguém. sabe, tenho me sentido sozinho, dona. tu tá sempre acompanhada, não é? nunca te vi realmente sozinha, e só uns poucos te aceitam assim, como tu é. como Caetano cantou a poesia de Augusto de Campos e Péricles Cavalcanti: "(...) Nudez total: todo prazer provém do corpo (como a alma sem corpo) sem vestes. Como encadernação vistosa feita para iletrados a mulher se enfeita, mas ela é um livro místico e somente a alguns, a que tal graça se consente, é dado lê-la". só uns poucos te sabem ler, te ouvir tua voz. essa tua voz que é só tua, que todos conhecem, mas ninguém escuta. dizem: "é boa pra ninar", como se voz tivesse utilidade além de ser linda. a voz serve para vociferar, pra fazer soar, a utilidade da voz é existir como voz. ora, um mesmo canto em diferentes vozes viram diferentes cantos pois que o canto depende da voz. tua voz é linda e inútil, de tão linda. (como gosto das coisas lindas!; como gosto de ti!). já minha voz não. fico triste por não conseguir te cantar. e bem, é disto que quero conversar, justamente isto que me angustia: pra quem cantar? ó, dona... é triste não ter pra quem cantar e cantar pra ninguém. poderia cantar pra minha própria voz, pro meu próprio canto... hoje quero aprender a fazê-lo: cantar pra minha própria voz, já que é ela que canta em mim. mas eu e ela andamos de mal - eu e minha voz. veja só que arrogância: chamo-a de minha como se a possuísse, mas não é bem por aí. aliás, eis minha frustração: minha voz não é minha, é só dela, mas mora em mim. pra te falar a verdade, dona, nem sei bem do que falo (mas falo, porque meu falo é o que falo). sabe, é essa a confusão, é essa a solidão. tanto que converso (ou escrevo?) pra ti, minha única companhia. e companhia de todos os outros. ainda bem que a uma hora dessas te deixam cantar tão alto; cantas com, tanto cuidado, cuidado de mãe, esse teu, de cantar segura e forte, e ainda assim ninar uma multidão. se tu só pudesse ninar uma única pessoa, quem ninarias que honra seria! ó, que alegria! vê? assim que quero fazer alguém feliz: ofereço meu canto! e só. pequenino canto que tem voz, palavra, sentido, lógica, técnica, emoção, saliva, língua, atos falhos, sexo, medo, desejo, e não tem dinheiro. não gosto, não quero, não, não, não. minha voz é pra fazer amar. não é mesmo, dona? afinal, a essa hora quem não foi ninado está amando. só pode. ou chorando, mas chorando de amor: que é amar. ou então está no japão.

já vais embora, dona? gostei do papo. eu estava precisando. conversar com gente que não sabe cantar estava me cansando já. é sempre bom rever uma grande amiga, um grande amor. nessa época do ano tu canta com mais frequência, por quê? é sempre mais calor e talvez haja mais quem dance e quem ouça; no frio pode ser difícil escutar, porque os queixos batem, ou então o fogo faz barulho de fogo, ou então a touca tapa os ouvidos, ou então se escuta outra música, ou então se conversa, ou então se faz sexo, por isso no calor é melhor de te ouvir. as crianças não brincam quando tu está cantando, no máximo veêm um filme e tomam chocolate quente. ou então jogam video game. eu queria ir aí fora te dar um beijo de despedida, mas pode ser que eu fique resfriado, aí já não poderia mais cantar. por isso que estou te falando que quero cantar pra alguém que possa me ouvir depois de me beijar. isso é amor: utilizar de todas as maneiras possíveis todo o corpo e toda a alma; experimentar e se relacionar a partir de tudo e com tudo; descobrir eus novos em mims atualizados a cada canto através dos cantos. poder beijar, cantar, falar, lamber, degustar, morder, assoprar, sugar, sorrir, ou não, e ainda assim: amar.

tchau, dona. até mais. te amo.

olha lá, ela vai mesmo embora e bem devagar, elegante como só ela. por isso que eu tou aqui sozinho, grosseiro e mal vestido. pareço mal criado, não mereço mulheres assim, fortes, seguras e lindas como ela. não, não. vou pra sempre ficar olhando, encarando, contemplando daqui de dentro, e só. mas eu a desejo tanto e tanto, como eu queria que ela entendesse isso.


tudo isso é pra dizer que a quero, só preciso que ela cante pra mim. pra mim. não gosto que cante pra multidão e me deixe cá embaixo olhando e ouvindo, em meio aos ingratos, esperando que eu vá interpretar, ler sei lá em que linhas, coisas mal escritas, mal ditas; que eu jogue jogos cansativos, com regras rígidas e antigas.


quero um canto novo, só pra mim, e eu canto pra ti. teu canto só pra mim, meu canto só pra ti. teu só pra mim. meu só pra ti. canto. canto. meu. teu. só pra. só pra. mim. ti. sopra mim. sopra ti. sopra. sopra.

te amo.

(me ame. me.)
te amo.
te amo. te.

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