Quero ser ruído de mar Tão suave que quase imperceptível Tão forte e profundo Que eternamente presente Quero ser silêncio que procuras Em meio ao trânsito À tormenta, o silêncio que falta Quando o ciúme agita Quero ser o impossível Mergulho profundo e refrescante O gozo da queda E a aventura de dormir Quero ser o que regula tua temperatura E te apavorar Com a iminência de um tsunami De te amar Teu transtorno no verão Teu próprio verão Aquele que abandonas Quando quente o mar e fria a lua Quero ser ruído de mar Que aos domingos chora contínuo Não sabes se pra ti Mas cuja lágrima azul clara rosa tem teu nome O ruído mais suave Mais rouco, pouco O que prova tua ineficiência Não sabes amar Mais distante que o céu Quero ser o que está dentro de ti Na lembrança, num vai e vem Quando te faltar pai ou estar nua Quero ser o moreno, o frouxo Que de tão azul, não soube ser mar O ruído em frente ao teu quarto cantando O dia podia ser mulher, ser melhor